Celebra-se no mundo inteiro a recuperação de economias afetadas pela crise global deflagrada no ano passado. Bilhões de dólares e euros foram injetados no sistema financeiro para salvar instituições pecaminosa e irresponsavelmente geridas. À época, questionou-se a imensa disponibilidade de recursos investidos em um sistema que priorizava valores monetários e não valores éticos e solidários. Recursos suficientes para salvar a humanidade da fome e da miséria num só tapa. Oportunidade ímpar de se revisar, para valer, um sistema falido.  Sem resposta.

A recuperação que estamos vivenciando pode estar sendo camuflada por artifícios contábeis. Não creio que a dúvida seja descabida,  haja vista que a solução de uma crise daquelas proporções levaria cerca de dois anos para ser equacionada de acordo com a manifestação unânime de diversas fontes econômicas mundiais: institutos, economistas, agentes governamentais. Ou estariam todos equivocados? A exceção ficou por aqui onde o tsunami não teria passado de uma marolinha…

Olhares mais atentos concordam que a fartura da mesa agora se deve aos peixes ofertados generosamente. Resta saber até que ponto os comensais aprenderam a pescar e quais provisões estão sendo feitas para honrar os compromissos paternalmente concedidos.

A meu ver, o restabelecimento da saúde das economias ocorrerá de fato se, e quando, os tomadores dos investimentos injetados no sistema quitarem suas dívidas; e a partir daí administrarem seus negócios com solidez e competência sem qualquer cobertura governamental.

Talvez não estejamos percebendo a realidade da situação porque somos leigos, ou porque os agentes de comunicação são parceiros dos governos ou ainda porque os intestinos contábeis destes últimos não podem ser radiografados.

No Brasil, os juros cobrados pelos bancos são escorchantes chegando a 9% ao mês para uma  inflação, em outubro, de apenas 0,25%. O preço atribuído aos combustíveis tem 3 dígitos depois da vírgula, a exemplo da cotação de moedas estrangeiras. Assim, você paga R$ 1,789 por litro de álcool, ou seja, um real setecentos e oitenta e nove “milavos” e o dólar a R$ 1,723. Estranha moeda para um povo ainda iletrado. Capital especulativo é premiado, poupança não. Economês intangível.

Hora de voltar para a escola!