Nosso expoente máximo tem sido blindado ao longo dos anos em nome da governabilidade. Causa-me profunda admiração a eficiência com que nosso país tem sido conduzido. Empresas de ponta deveriam se espelhar na estratégia posta em prática pelo governo que parece ter elaborado um muitíssimo bem sucedido plano de longo prazo se beneficiando, inclusive, de circunstâncias conjunturais.

Todos os espaços têm sido magistralmente ocupados e explorados com invejável sucesso. Como uma equipe treinada para a invencibilidade, magicamente transforma derrotas em retumbantes sucessos, escândalos nas instâncias superiores em temas que morrem no nascedouro, transparência em opacidade, fatos em versões, incorreções vernaculares deliciosamente aplaudidas.

Externamente, uma política irretocável de boa vizinhança, cooperação, contundência quando oportuno. Internamente, escândalos desfiados, um a um, provados e comprovados, que em outras paragens resultariam em degredo, desaparecem como a fumaça dos melhores charutos caribenhos.

Desde o primeiro instante, a partir do primeiro ato, os holofotes ficaram concentrados na figura principal que vem exercendo seu  papel com maestria usufruindo de seu talento inato de ser carismático. Carisma cuidadosamente trabalhado dia-a-dia por qualificados formadores de imagem e roteiristas. Sabe-se que em comunicação uma imagem vale por mil palavras. Seguindo a cartilha, não se passa um dia sequer sem que algum fato, criado ou real, não conte com uma apresentação, ou representação, tão espontânea e natural que nos confunde como capítulos de uma novela escrita com esmero e sensibilidade.

Universidades que em seus ensinamentos fazem uso do método de caso para análise e discussão poderiam, em algum momento mais a frente, colocar em debate o fenômeno deste segmento da história.   Verdades conflitantes, perplexidade civil, embaçamento da realidade, engendramentos oportunistas que em nada alteram os contínuos sucessos de um país protegido e abençoado pelos deuses.

Ou até por isso!