Aquecendo o ambiente da cúpula da ONU, reunida na capital da Dinamarca para discutir sobre a mudança climática, já no segundo dia dos trabalhos a primeira informação-bomba: Estados Unidos e Grã-Bretanha redigiram e firmaram, a priori, um acordo estabelecendo que os dois países poderiam emitir praticamente o dobro de poluentes produzidos pelos países em desenvolvimento. E mais: estariam trabalhando em conjunto para que a ONU passasse, também e a partir de agora, a ter menos poder de fiscalização. A União Européia por sua vez, manifestou-se unanimemente contrária a ajudar financeiramente os países em desenvolvimento no combate à emissão de poluentes.

São considerados, todos, países desenvolvidos cujo parâmetro de avaliação é, apenas, a pujança econômica. Como corpos atléticos providos de cabeças sem cérebros, impressionam apenas pelos músculos.

Países que se arvoram em arautos da democracia, preocupados com a qualidade de vida dos povos fora de seus domínios, principalmente os que possuem reservas de petróleo e gás, arquitetam por baixo do pano espúrias maquinações privilegiando seus interesses econômicos. Em detrimento da saúde da população de suas próprias regiões e daquelas do resto do planeta. Parecem ignorar que o mundo está passando por transformações catastróficas, inéditas, decorrentes do desequilíbrio ambiental. A agressividade dos efeitos destruidores que estamos presenciando nos alerta sobre o que ainda está por vir. O pior!

O desequilíbrio de um punhado de mandatários que acreditam ter o poder de controlar a Natureza, priorizando suas Economias, poderá nos levar a assistir a fenômenos dignos de mais um holocausto, muito antes que possam prever os cientistas.

Hoje é o último dia da Conferência. O mundo lúcido, ansioso, aguarda por definições pragmáticas que possam fazê-lo esquecer as promessas, vãs,  do Protocolo de Kyoto e da ECO-92. Já foi dito que “a guerra é muito importante para ser deixada aos generais”. A sobrevivência das espécies é muito importante para ser deixada – apenas –  nas mãos dos políticos, ousaria dizer eu.

Para finalizar, a vergonha!  Em plena semana da discussão mundial sobre a mudança climática, aqui no reino brasileiro da impunidade, agressores do meio ambiente foram anistiados. E acredite: por decreto presidencial! A punição a desmatadores, no valor de R$ 10 bi, que deveria ter sido aplicada no ano passado, foi suspensa até 2012.

Ano de eleição. Com devoção!