Há cerca de duas semanas o presidente da República, em mais um de seus arroubos de palanque proferiu, repetidamente, palavras de baixo calão, os chamados palavrões. Sua platéia: gente humilde, ao vivo, presente a mais uma de suas aparições eleitoreiras e telespectadores em suas casas.

Ao se vangloriar de ter o direito de pronunciar em alto e bom som o verbete utilizado em rodas de descontração de bares e botecos, nivelou-se ao cidadão comum freqüentadores daqueles locais. A platéia ao vivo exultava. A outra, provavelmente familiar, com surpresa imagina-se, assistia ao primeiro mandatário da Nação expressar-se em tom licencioso para se dizer o mínimo.

Fosse outro o personagem em questão e meu espanto seria maior. Como eu e milhões de brasileiros já assistimos pela internet manifestações suas, de nível ainda mais baixo, o fato não chegou a causar estranheza, mas sim repulsa.

Repulsa, por que vivemos em um país crescentemente dominado pela violência nas ruas e nas escolas, inebriado pela propaganda maciça, com realidades mascaradas por feitos autênticos.

Como pai, avô e cidadão consciente de seus direitos e obrigações não me permito calar diante dessa verdadeira aberração. Já não bastasse ao primeiro mandatário deste país jactar-se de sua pouca escolaridade e ainda assim ter chegado aonde chegou, sem nenhum constrangimento estimula jovens a colocar em segundo plano seu apego aos estudos e a ter comportamento social questionável pelos exemplos que dele recebe.

Professores correm risco de vida durante suas aulas tentando passar conhecimento a alunos cada vez mais violentos e desamor pelo respeito. Populações perdem filhos com balas perdidas em cidades maravilhosas e hospitais públicos marcam consultas para meses à frente com pronto atendimento precário, para desespero de pacientes. E a vida, para alguns, continua!

Enquanto isto, nosso presidente se apresenta como figura pantagruélica, recebido e exibido por reis e rainhas, presidentes e primeiros-ministros. Horas depois, como o ex-pau de arara de linguagem vulgar, é respaldado por 83% de aprovação popular.

Meus filhos escaparam desta armadilha. Meus netos ainda não.

Deixo registrado aqui meu mais profundo respeito e admiração pela corajosa atuação de professores(as) e educadores(as) deste país. Pelo esforço e dedicação incomuns, que com salários aviltantes se dedicam a tentar formar gerações íntegras que possam vir a ajudar este nosso Brasil a ser, e um dia ser, reconhecido como de primeiro mundo.

Não por seu poderio econômico e riquezas, mas pela educação, saúde e segurança de seu bendito povo.