Muitos, na virada do ano, se comprometem a rever atitudes e posicionamentos. Sempre me perguntei por que o “réveillon” é o momento escolhido para estas reflexões ou desejos. O termo, que em francês deriva da palavra “despertar”, talvez seja a  razão para a escolha da ocasião. Ocasião celebrada no mundo inteiro com espetáculos pirotécnicos quase mágicos que nos deixam extasiados pela beleza com que são produzidos. Além disso, o lado festivo e alegre da passagem do ano age também como um antídoto para as preocupações e mazelas de muita gente.

Despertamos todas as manhãs e nem por isto nos propomos a, diariamente, rever o dia anterior, considerar o hoje como oportunidade para corrigir rotas e o amanhã como realização. Postura distinta daquela adotada no embalo do fim de ano quando o clima nos impele a adentrar animados em outra freqüência.

Nosso planeta em crise, gritando por socorro com tempestades, enchentes, secas, incêndios, terremotos, aguarda por um gesto honesto e solidário por parte de parte da espécie que nele habita. Parte, porque animais e plantas são apenas caudatários e vítimas das (in)ações humanas que colocam cifrões como pontas de lança das privações em andamento. A espécie humana dotada de raciocínio, mas nem sempre com inteligência, não aprendeu ainda a agradecer aos mundos vegetal e animal que são a razão de sua sobrevivência. Como filha ingrata, desdenha de tudo que lhe foi ofertado gratuitamente e começa a colher o que plantou. Tudo na vida é cíclico, com princípio, meio e fim. Estamos caminhando céleres para um fim que prenuncia a extinção de tudo e de todos. Sem reciclagem! A contrapartida é que, felizmente, encontramos muitos que estão contribuindo para nossa preservação com exemplos e ações.

A você, meus votos para que cada dia de sua vida, independente do ano criado pelo calendário do imperador Juliano, seja vivido com saúde, paz de espírito, mais compreensão e tolerância para consigo mesmo e para com o próximo.

Ter você como leitor(a) me torna mais responsável pelo que escrevo. Sua participação no processo de reconstrução do planeta, que começa ao despertar de cada dia como em um moto-perpétuo, não passaria despercebida.

Réveillon o ano todo, sem ressaca no dia seguinte!