O Excelentíssimo Senhor Ministro da Defesa do Brasil, Nelson Azevedo Jobim é jurista e político. Foi professor de Direito e ministro do Supremo Tribunal Federal, corte da qual já foi presidente. Não se trata, portanto, de um ministro qualquer, desconhecido, semiletrado como alguns, mas sim de figura imponente até pelo porte físico e arrogância com que habitualmente se comunica.

Em frente às câmeras de TV em Porto Príncipe, Haiti, após o terceiro dia do desastre que deixou dezenas de milhares de mortos e muitos soterrados ainda, tranquilamente afirmou que tratar como desaparecidos os que não haviam ainda sido encontrados seria um simples eufemismo (substituição de palavra que possa ter sentido triste e grosseiro por outra de sentido mais suave ou conveniente). Ou seja, estariam todos mortos. Depois da verborrágica declaração, até o início desta semana foram resgatadas mais nove pessoas com vida!

Mas mais importante que a insensibilidade desse douto senhor foi a manifestação global de solidariedade aos flagelados do país caribenho. Arrasado e sem governo ou instituições que pudessem assumir o comando das operações diante do caos instalado na ilha, inúmeros governos – inclusive o nosso – agiram imediatamente, enviando os primeiros socorros, equipamentos, mantimentos e pessoal especializado.

A mobilização mundial que se seguiu à catátrofe demonstra que o ser humano é sempre capaz de ajudar o próximo e que recursos não faltam nesses momentos. Governos, instituições privadas, pessoas físicas contribuem com o que podem dispor  e que invariavelmente não lhes fará falta. O Haiti, a exemplo de vários paises africanos vem sofrendo há décadas com a fome, desnutrição, desgovernos. Instituições humanitárias e contingentes estrangeiros lá se instalaram sob a batuta da ONU, homeopaticamente se esforçando para levar segurança e bem estar à população.

Agora, diante de uma situação sem precedentes, não faltarão recursos abundantes, além dos financeiros, advindos sob todas as formas e oriundos de todos os cantos da Terra para reconstruir uma nação. Nação mais pobre do continente, 8 milhões de sofridos habitantes, esquecida por muitos, lembrada por poucos humanitários e – ironicamente – distante apenas 1.200 km do país mais rico do planeta que gasta a bagatela de US$ 500 milhões por dia só com a invasão do Iraque, a 13.000 km de casa. Não, não houve erro de digitação.

Precisamos aprender a viver e a conviver antes que profecias se realizem.