“Começamos a envelhecer quando deixamos de criticar os mais velhos e passamos a fazê-lo aos mais jovens”. A frase, que não é minha, me foi enviada há algum tempo. Ficou armazenada na memória para futuro uso, futuro que agora chegou.

Esse negócio de juventude, meia idade, velhice mais me parece um negócio de fato. Somos bombardeados todos os dias pelas mídias que nos lembram em que fase da vida nos encontramos e de tudo que precisamos para viver melhor.

A publicidade e a propaganda dirigidas com vigor em doses de convencimento contundentes não deixam ninguém de fora. Se você é jovem, enxurradas de produtos para manter a eterna juventude, com tudo em cima e durinho. Se já dobrou o cabo da boa esperança, fórmulas mágicas de pílulas, cremes, alimentos. Aspiram as “lipos” aspirando retornar aos bons tempos que à época não pareciam tão bons. Olhamos para trás e nos lamentamos. Olhamos para frente com expectativas e perdemos, via-de-regra, as oportunidades que temos de vivenciar alegremente o momento presente.

Esta  história parece meio filosofia de botequim quando se jogava conversa fora ao som de um sambinha e tomando umas e outras. Agora não dá mais para filosofar, nos barzinhos, pois fica até difícil ouvir a voz do colega de mesa ainda que distante dele poucos centímetros. Maravilhas da eletrônica para alegria de fonoaudiólogos e otorrinos.

O fato é que filosofia ou não, estamos todo no mesmo barco querendo ser o que não somos sem nos darmos conta de que, provavelmente, tem muita gente querendo ser como você ou eu.

Bem, juventude não é sinônimo de jovialidade, assim como apagar mais uma velinha não torna as mulheres mais velhinhas nem os homens menos viris, em qualquer idade. Que venham as rugas, sem rusgas com a natureza,  e desfrutemos de cada momento como se fora o último para não termos que lamentar depois e proferir aquela conhecida frase “eu era feliz e não sabia”.

Para encerrar esta milonga, preciso imprimir o que acabo de escrever, colocar o texto ao lado do laptop e começar meus dias lendo o que penso, mas pouco pratico. Meu pai costumava dizer que quando a cabeça não funciona o corpo padece. Creio, tardiamente, que ele tinha razão com esta e com outras tantas que me dizia, desde a época em que eu ainda criticava os mais velhos… Agora mudei de faixa.

Quem sabe assim aprendo um pouco.