Políticas governamentais focam suas diretrizes em resultados econômicos na linha de maior consumo, maior produção, maior empregabilidade. Modelo que já se provou estéril até na maior  potência do planeta. Colocar como prioritários a  aquisição de bens, duráveis ou não, ante a mesa saudável e farta, à educação de qualidade, ao investimento em salubridade é, no mínimo, compactuar com a rica adversidade. As vítimas desse círculo vicioso são os hoje 6.6 bilhões de habitantes da Terra. Em 2011 seremos 7 bilhões, segundo estimativas confiáveis. O número daqueles que sequer têm o que comer ou onde morar crescerá em milhões. Quadro que se prenuncia sombrio.

Poucas décadas atrás produtos e serviços primavam pela qualidade e honestidade. Com o “boom” demográfico isto mudou. A globalização e a tecnologia, juntas, traçaram um novo perfil de consumo onde o descartável passou a ser fator vital para a sobrevivência dos negócios. O marketing se encarrega de criar necessidades para que você tenha mais, ofertando supérfluos que a propaganda vende como bens indispensáveis.

Os cataclismos que o planeta vem enfrentando com terremotos, tsunamis, enchentes, nevascas jamais vistas, resultam de políticas econômicas irresponsáveis de governos responsáveis pelo desequilíbrio climático. A produção industrial a qualquer preço e a agro-pecuária devastadora da natureza são, seguramente, os principais agentes destas tragédias.

A crise econômica que abalou o mundo recentemente, sem data marcada para terminar, parece não nos ter ensinado que é chegado o momento de adotarmos outras fórmulas de sobrevivência.

Nos Estados Unidos, por exemplo, onde o colapso eclodiu, o governo tenta impor regras ao seu desregulado sistema financeiro. Tenta, eis que a reação imediata e sem surpresa foi a de entrar em rota de colisão.

Por aqui, PIBs, IPCs, Selics, deveriam estar a serviço do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano). Mas neste quesito, de acordo com a ONU, o Brasil se encontra atrás de Argentina, Uruguai, Venezuela, Chile. Perdemos até para Costa Rica, México e Cuba. Economia forte por si só é insuficiente para elevar com qualidade, a qualidade de vida de um povo. Apesar dos discursos!

Estamos na idade da pedra em termos de conscientização coletiva. O individualismo perde consistência e o coletivismo não adquiriu, ainda, forma nem força. Nossa sobrevivência, portanto, é muito importante para ser deixada nas mãos de governos. A ação é nossa!

 

 

 

/02/2010