As emissoras de televisão, de forma insinuante quase velada, transformaram espectadores em televiciados. Tanto canais abertos como pagos oferecem uma programação narcótica sutilmente transformando as horas livres das pessoas em verdadeiros embalos.

No futebol, conseguiram preservar seus horários ditos mas nem sempre nobres – mediante atraentes contratos financeiros para os clubes – levando o início dos jogos noturnos para as 22 horas durante a semana.  Horário em que pessoas saudáveis, tendo que enfrentar o batente cedo no dia seguinte, poderiam estar pensando em se recolher. Tornaram o futebol um negócio de cifras tão bilionárias que disponibilizam jogos de campeonatos de toda espécie, de todas as partes do mundo, durante toda a semana. Ópio na vida de muita gente.

As outras programações organizam os dias das pessoas para que possam estar presentes em frente às ex-telinhas, telas hoje com até 42 polegadas. “Lazer” entremeado de lavagens cerebrais para consumo via comerciais que raramente oferecem informação honesta dada a incrível velocidade com que os locutores as apresentam e a ênfase dada apenas a preços sob forma dúbia e enganosa.

Posso dar a impressão de que sou contra a televisão. Não, não sou absolutamente. Sou, sim, categoricamente, contra as programações de consumo que visam exclusivamente o lucro, ignorando a qualidade, sem nada contribuírem para nosso enriquecimento educacional e cultural. As novelas, “talk-shows”, programas de auditório que emburrecem espectadores jovens e adultos, ocupam todos os espaços. O planejamento das “grades”, feito a partir de poderosos patrocinadores, contempla apenas a venda de produtos de todas as naturezas não permitindo a apresentação de programas que possam influenciar positivamente e bem informar pessoas de todas as idades de forma saudável.

A contribuição que a televisão vem dando à sociedade é, no mínimo, injusta. Não oferece aos cidadãos a oportunidade de uma escolha livre, mas apenas a de optar entre o ruim e o pior. Vem formando gerações, “fazendo suas cabeças”, induzindo crianças a pularem estágios em seu crescimento emocional, consentindo e estimulando a deturpação de valores.

Não surpreende que a sociedade esteja mais violenta, mais insegura, menos educada e mais ignorante, inebriada pela mediocridade de programações televisivas carregadas de tragédias, pautadas para a deformação intelectual e moral de jovens e adultos pouco esclarecidos.

Sinal dos tempos ou tempestades?

 

 

 

 

 

 

Programação da TV: Recall Urgente

 

As emissoras de televisão, de forma insinuante quase velada, transformaram espectadores em televiciados. Tanto canais abertos como pagos oferecem uma programação narcótica sutilmente transformando as horas livres das pessoas em verdadeiros embalos.

No futebol, conseguiram preservar seus horários ditos mas nem sempre nobres – mediante atraentes contratos financeiros para os clubes – levando o início dos jogos noturnos para as 22 horas durante a semana.  Horário em que pessoas saudáveis, tendo que enfrentar o batente cedo no dia seguinte, poderiam estar pensando em se recolher. Tornaram o futebol um negócio de cifras tão bilionárias que disponibilizam jogos de campeonatos de toda espécie, de todas as partes do mundo, durante toda a semana. Ópio na vida de muita gente.

As outras programações organizam os dias das pessoas para que possam estar presentes em frente às ex-telinhas, telas hoje com até 42 polegadas. “Lazer” entremeado de lavagens cerebrais para consumo via comerciais que raramente oferecem informação honesta dada a incrível velocidade com que os locutores as apresentam e a ênfase dada apenas a preços sob forma dúbia e enganosa.

Posso dar a impressão de que sou contra a televisão. Não, não sou absolutamente. Sou, sim, categoricamente, contra as programações de consumo que visam exclusivamente o lucro, ignorando a qualidade, sem nada contribuírem para nosso enriquecimento educacional e cultural. As novelas, “talk-shows”, programas de auditório que emburrecem espectadores jovens e adultos, ocupam todos os espaços. O planejamento das “grades”, feito a partir de poderosos patrocinadores, contempla apenas a venda de produtos de todas as naturezas não permitindo a apresentação de programas que possam influenciar positivamente e bem informar pessoas de todas as idades de forma saudável.

A contribuição que a televisão vem dando à sociedade é, no mínimo, injusta. Não oferece aos cidadãos a oportunidade de uma escolha livre, mas apenas a de optar entre o ruim e o pior. Vem formando gerações, “fazendo suas cabeças”, induzindo crianças a pularem estágios em seu crescimento emocional, consentindo e estimulando a deturpação de valores.

Não surpreende que a sociedade esteja mais violenta, mais insegura, menos educada e mais ignorante, inebriada pela mediocridade de programações televisivas carregadas de tragédias, pautadas para a deformação intelectual e moral de jovens e adultos pouco esclarecidos.

Sinal dos tempos ou tempestades?

Roberto Alves de Athayde

12/02/2010