A Internet vem prestando um grande serviço democratizando o noticiário. A enxurrada de dados de natureza econômica, tecnicamente entremeada de frases convincentes e discursos vários, pode nos confundir quanto à realidade dos fatos. Em realidade, não sabemos muito bem – eu pelo menos não sei – como funciona nossa economia, com índices variando a cada dia, crescimento da indústria, comércio e serviços viajando como montanha russa, bolsas e câmbio idem. Comparações são feitas a todo instante entre dados passados e recentes, que se cruzam e aparentemente conflitam, confundindo qualquer cabeça.

Pelo divulgado pela imprensa, sistematicamente, em termos de Brasil nossa economia vai muito bem obrigado. Já em termos de economia mundial, a impressão é de que o sistema opera na contramão.

Esta semana o presidente brasileiro em visita a Cuba acompanhou as obras de ampliação do porto de Mariel na região de Havana. Obra que recebeu um crédito de US$ 150 milhões do Brasil, valor que pode chegar a US$ 500 milhões. Recentemente, segundo divulgado pela imprensa há algum tempo, houve financiamento brasileiro para o metrô de Caracas (Venezuela).

Estranho que com toda esta pujança o  país registre as taxas de juros mais altas do mundo, possua a terceira maior carga tributária do planeta e os ganhos de bancos sejam os mais altos que quaisquer outros em qualquer lugar.

Continuo sem entender como por aqui, no território que já foi tupiniquim, apesar da fortaleza econômica com superávits disso e daquilo, possam faltar – por exemplo – investimentos maciços em saúde e educação, crônicos em nossa história. Hospitais públicos pelo Brasil afora continuam superlotados e não poucos sem condições de oferecer decente atendimento emergencial. A qualidade do ensino nas escolas públicas é sobejamente conhecida.

Zelar pela Saúde e Educação da população é dever prioritário do Estado! Parece-me contraditório e paradoxal, portanto, que tenhamos tanto a oferecer aos necessitados no exterior e tão pouco aos necessitados daqui. A Previdência Social (social?) que o diga.

Gostaria de poder receber uma aula de economia brasileira a fim de poder amarrar o mar de dados disponíveis.     Ainda hei de entender, entre tantas, por que a limitação constitucional dos juros é de 12% ao ano, mas a taxa de juros cobrada para pessoas físicas somou 43% ao ano em janeiro. O dólar é cotado a R$ 1,8190 (estranha moeda) e as aposentadorias desvinculadas do salário mínimo.

Muito para minha cabeça.