Vivi no mundo empresarial por muitos anos. Acompanhei de perto, e participei obviamente, de mudanças na vida e perfil de empresas e pessoas. Mudanças inevitáveis fruto do desenvolvimento tecnológico, globalização, alterações no perfil do mercado, pressões internas por redução de custos, atingimento de metas que deixassem acionistas mais sorridentes. Nada diferente do que ocorre hoje e vem ocorrendo desde sempre.

O perfil dos profissionais desejado pelas empresas vem se alterando – para melhor, eu diria – onde o capital humano vem sendo mais valorizado. Iniciativa, conhecimento profundo do negócio, personalidade para trabalhar em equipe, visão de mercado, entre muitas qualificações, são hoje mais importantes que conhecimento técnico específico para ocupar janelas em organogramas rígidos do passado.

A democratização do acesso à informação vem oferecendo aos profissionais mais conscientes e atentos a oportunidade de se destacarem via aumento de seus conhecimentos em qualquer área.

Mas tudo isto por si só e exclusivamente não faz a diferença.

Como se imaginar que um dia, poderosíssimas instituições poderiam desaparecer sem deixar rastros, deixando apenas desalento para tantos? Bancos considerados sólidos, empresas aéreas com suas asas voando mundo afora, indústrias de todas as áreas presentes no mundo com imbatíveis produtos, para citar apenas alguns segmentos, tiveram seus ciclos encerrados de maneira dramática.

A pergunta que fica é: por que desapareceram? Geridas por pessoal altamente qualificado, escolhido a dedo e pago a peso de ouro, com sólida reputação e condição financeira elogiável, servindo de exemplo em textos e casos para estudantes de administração em universidades famosas, viraram pó e hoje apenas lembradas em almanaques, se tanto.

Minha visão e atrevida resposta para a questão é de que competência, conhecimento e atualização por si só são insuficientes para perpetuar uma empresa. Hoje, acredito na sobrevivência de empresas que venham a abandonar, definitivamente, o modelo vigente há séculos de lucros a qualquer preço e que descartam seus cérebros após exauri-los ao máximo. Uma política de sobrevivência solidária de seus profissionais, fazendo uso de todo o conhecimento disponível em benefício da coletividade, parece-me ser o caminho.

Comprar conhecimento como uma mercadoria e usá-lo à extinção visando auferir apenas lucros monetários tem levado empresas ao  óbito.

E o obituário não é pequeno.