Individualismo é sinônimo de egocentrismo. John Donne, poeta inglês do século XVI, em seu famoso texto Meditações XVII começou escrevendo “Nenhum homem é uma ilha em si mesmo…” Essa frase já serviu de inspiração para escritores e produtores de filmes e nos lembra que somos parte de um todo. Não consigo vislumbrar como seria possível produzir, realizar ou conseguir algo sem algum tipo de interação. Somos todos dependentes uns dos outros. Principalmente da natureza. Na visão budista, a interdependência nos faz seres interconectados a todas as coisas do universo e delas dependentes.

Nascemos por graça e obra da união de duas pessoas. Crescemos educados na família e nas escolas, dependentes da primeira para nossa sobrevivência e das segundas para uma formação acadêmica. Ingressamos no mercado de trabalho e dependemos de empregos e salários para enfrentar a vida. De médicos, dentistas e farmácias para cuidar de nossa saúde. De prestadores de serviços para contornar os problemas domésticos.

Mas quantos de nós têm consciência de que nossa sobrevivência só é possível porque tudo o que consumimos e usamos é fruto da  participação de milhares de pessoas anônimas? Lida a frase, a obviedade é cristalina. Agora, honestamente, você já ponderou sobre isto algum dia?

Ao enfrentar situações difíceis ao longo da jornada alguns se dão conta que não são auto-suficientes absolutamente. Cedo ou tarde, a vida lhes ensina que depender, em maior ou menor grau, faz parte da existência.  Conscientes desta que me parece ser uma verdade, muitos se tornam menos egoístas, mais sensatos e disponíveis. Perceber a vida sob este ângulo torna a caminhada mais vivível!

Nossa permanência por aqui é permeada de colaboração e participação. Sinergia é aquela palavrinha mágica que pode ser definida como sendo o resultado de 1+1=3. Ou, academicamente: soma de duas partes que forma uma terceira de valor intrínseco maior. Você, como sabe, foi concebido dentro dessa premissa…

Os orientais em sua singeleza têm consciência de que a soma é sempre maior que as partes.  Parece óbvio, e de fato o é. Não pelo ângulo da ciência, mas daquele que faz uso da percepção enxergando além das aparências. Interesses distintos com objetivos comuns encontram na reciprocidade o caminho mais curto para a plena realização. Fórmula simples e eficiente. Simples e eficiente desde que o respeito mútuo prevaleça nas situações de conflito e concessões tenham como foco o bem maior.

Dizer mais não é preciso.