Em crônica recente, Divisor de Águas, defendi a tese da implantação de políticas de sobrevivência solidária para profissionais nas empresas, fazendo uso de todo o conhecimento disponível em benefício da coletividade.

Uma leitora assídua solicitou-me que desenvolvesse um pouco mais o tema, algo que não fiz por absoluta falta de espaço em minha coluna.

Existem empresas com um perfil que leva em consideração o preceito acima. Ainda longe de serem maioria são, no entanto, sementes fertilizadoras de um novo caminho no relacionamento entre profissionais e suas instituições, e entre aqueles e o mercado.

Estas empresas, conscientes de que seus colaboradores são, em princípio, seus primeiros consumidores, criam um vínculo de responsabilidade partilhada. Uma espécie de simbiose interna entre colaboradores e potenciais consumidores finais.

Empresários identificados com a melhoria da qualidade de vida e bem estar dos consumidores de seus produtos estimulam o desenvolvimento pessoal e profissional de cada colaborador visando torná-los agentes de mudança. Agentes de mudança conscientes de sua responsabilidade na recriação de uma sociedade mais honesta, mais saudável, mais justa.

Esse conceito, irmanando empresários e colaboradores, estabelece uma cumplicidade de propósitos propiciando ao mercado diferenciar não apenas produtos mas, também e principalmente, princípios que norteiam sua participação nos negócios.

Consumidores, paulatinamente, começam a ficar mais conscientes para aquilo que compram. A marca, o preço, a composição ou ingredientes tem peso nas escolhas. A honestidade nas informações prestadas pelas empresas em seus produtos nem sempre é das mais confiáveis. Maquia-se através de rótulos com falsas informações, difíceis de serem lidas e entendidas, não raro com propaganda enganosa sobre o produto sendo ofertado.

É reconfortante perceber-se, no entanto, que a conscientização dos consumidores está indo além.  Começam a ser levados em conta a origem da matéria prima, o impacto de sua produção no meio ambiente, a utilização de mão de obra escrava ou infantil.

Empresas e profissionais que vislumbram horizontes semelhantes tornam-se solidários na salvaguarda de seus futuros. Protegem-se uns aos outros, fraternalmente, mantendo o profissionalismo e lucros como meio e responsabilidade pela qualidade de  vida de seus semelhantes como fim.

Aurora de Novos Tempos