A Copa do Mundo, que já foi um evento do esporte, tornou-se um mega-negócio financeiro onde os jogos e seus atores são meros catalisadores de investimentos altamente lucrativos. Serão milhares os presentes ao torneio e dezenas de milhões ao redor do globo a assistir aos jogos e à propaganda.

Durante 30 dias, a partir de 11 de junho, TVs nos escritórios,  bares e afins estarão ligados e nos dias de jogos da “canarinho” o expediente se encerrará mais cedo. Haverá demonstração de patriotismo, com bandeiras em antenas de carros e sacadas de apartamentos. Ao melhor estilo dentro do clima a ser criado e orquestrado pela mídia.

Mas a festa não será para todos!

Os patrocinadores da FIFA e da Copa são, sem exceção, multinacionais com interesses pelo planeta afora. Seleções dos diversos países contam com apoio financeiro de instituições locais.

As nove cidades onde serão realizados jogos sofrerão incríveis medidas totalitárias impostas pela FIFA por pressão de seus patrocinadores. Medidas que contam com a submissão das autoridades africanas em um país cujo mercado informal movimenta 15% do PIB. A poderosa, com sede em Zurique na Suíça, está impondo severas restrições à exibição de logomarcas ou quaisquer símbolos que não os de seus patrocinadores. Como? Fazendo uso de recursos nada democráticos que lembram aqueles impostos pelas botas em não poucos países.

Zonas de “limpeza” e “exclusão” estão sendo criadas em um raio de 1 km  ao redor dos estádios. E não apenas lá: a regra será aplicada nas imediações dos centros de treinamento, hotéis, centros de mídia e até mesmo em rotas de acesso, como avenidas e estradas que deverão ter obras “escondidas” por tapumes ou toldos. Em todas as áreas, anúncios de empresas concorrentes das patrocinadoras do Mundial serão simplesmente proibidos.

Pequenos comerciantes do país terão de eliminar qualquer propaganda visual de marcas não autorizadas. Milhares de ambulantes que sobrevivem com suas barraquinhas de balas, salgadinhos, cigarros, estarão proibidos de trabalhar em locais de grande movimentação de pessoas como parques, igrejas, monumentos históricos.

As punições para os infratores: de multas pecuniárias até prisões, passando por confiscos se for o caso. Tribunais especiais serão constituídos para julgar as ocorrências!

Anote os patrocinadores desta barbárie mercadológica e insensibilidade humana: ADIDAS, COCA-COLA, EMIRATES, KIA, SONY, VISA, BUDWEISER, CASTROL, McDONALDS, MTN (Telefonia), FNB (Banco).

O continente mais pobre do planeta não merece esta afronta!

 

 

 

 

 

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RAdeATHAYDE