Nosso planeta, não sendo inflável nem elástico, permanece oferecendo o mesmo espaço – como há bilhões de anos – para que nós terráqueos possamos nele habitar.

Você talvez se surpreenda ao saber que a população da China hoje é equivalente àquela de todo o planeta em… 1939: 1.3 bilhões de habitantes. A região metropolitana de Tóquio, capital do Japão, com uma população de 35.6 milhões de pessoas, ocupa uma área pouco maior que a do Distrito Federal. E a população mundial, no momento, se aproxima dos 7 bilhões de bípedes racionais.

Se considerarmos que em apenas 70 anos a população da terra cresceu cerca de 400% a luz vermelha começa a piscar. Recursos naturais disponíveis estão se extinguindo. Áreas para produção de alimentos diminuem e condições climáticas desfavoráveis e inclementes, se tornando cada vez mais freqüentes, em nada contribuem para amenizar a situação. Espaços para construção e lazer vêm sendo sistematicamente reduzidos para atender à crescente demanda por habitações, com prejuízo da qualidade de vida da maior parte das populações.

A superpopulação, ocorrendo principalmente nas megalópoles e áreas mais pobres dos continentes, não está sendo compensada com a disponibilização de infra-estrutura básica de saneamento, locomoção e lazer. E este não é, apenas, um fenômeno brasileiro.

Os guetos condominiais tentam resgatar uma qualidade de vida que todos gostariam de ter, mas que nem todos se dispõem a exercitar mudando hábitos e costumes arraigados comprometendo, assim, justos anseios.

Somos todos desconhecidos, imersos em uma sociedade sem rosto, procurando sobreviver no dia-a-dia. Desconfiados e amedrontados, perdemos a capacidade de nos relacionarmos com vizinhos, de permitir que nossos filhos joguem bola na rua, subam em árvores, “desapareçam” andando de bicicleta por aí.

Milhões vivem em uma roda-viva, dentro de uma bolha de estresse, em ônibus, trens, estradas, aviões, moradias, praias, estacionamentos, restaurantes, bares, se acotovelando em espaços individuais ínfimos.

Nas últimas décadas, a maximização do metro quadrado criou em nós uma nova cultura, nos obrigando a uma nova forma de viver. Estabelecer uma relação de equilíbrio entre o que aí está, irreversível, e a priorização consciente de nossas reais necessidades, reversível, parece ser um bom caminho para salvaguardar nossa saúde física e mental sem o auxílio de subterfúgios.

Um ditado tibetano nos lembra: “Só se pode juntar as mãos quando estas estão vazias”.