Li, recentemente, uma matéria que abordava de forma sui-generis o tema dinheiro.
Refletindo um pouco sobre o assunto lembrei-me de uma historinha verídica. Voltando ao tempo em que era ainda criança, me vi sentado com meu avô em seu escritório diante de um imenso baú cheio de cédulas até a boca que, naquela altura da vida, ainda não sabia identificar.
A grande caixa era protegida como uma relíquia, para ensinar aos filhos inicialmente e aos netos mais tarde que o dinheiro pode, de repente, não valer mais nada. Aquele mundão de notas eram marcos alemães, que com a galopante inflação na Alemanha dos anos 30 haviam perdido completamente seu poder de compra.
Apesar da pouquíssima idade e sem entender muito bem tudo aquilo a cena impressionou-me, ficando gravada em minha memória para sempre.
Hoje, assistindo aos destemperos da economia mundial, desequilibrada, com governos compactuando com os desmandos dos poderosos banqueiros que visam única e exclusivamente seus próprios interesses, me veio à mente a tal historinha dos marcos alemães.
Claro está que ninguém guarda mais dinheiro em baús – aliás, local mais seguro que em muitos bancos. O fato é que, esteja o seu rico dinheirinho guardado aqui ou ali, ele pode virar fumaça da noite para o dia. Terremotos, tsunamis, enchentes e outras catástrofes podem causar desagradáveis surpresas para sua poupança. Até mesmo confiscos… sempre possíveis de ocorrer.
Grandes bancos, ou o que restou deles e segundo consta, têm os recursos e bens de seus clientes protegidos por algum tipo de sólida estrutura. O lastro em ouro dos Estados Unidos, por exemplo, encontra-se na pequena cidade de Fort Knox em local inviolável que, em tese, estaria a salvo até de cataclismos. Em tese.
Não são apenas as tragédias climáticas que rondam a segurança de tudo que nos é caro. O poder belicista e de destruição concentrado nas mãos de apenas meia dúzia de homens no planeta nos deixa, também, em situação de absoluta vulnerabilidade.
Assim, darmos prioridade ao longo da vida a tudo que realmente tem valor, colocando em segundo plano o amealhar do vil metal, pode tornar nossa existência um pouco mais amena e profícua.
Afinal, os marcos alemães na arca de meu velho avô em nada refrescaram minha vida. Mas a convivência com ele, sim. Convivência que aumentou o rendimento de meu capital humano, inflacionou minha sensibilidade, gerou superávits na minha forma de ver a vida.
E, de quebra, legou-me uma fortuna protegida de intempéries econômicas!