A situação político-econômica na Europa é de turbulência vulcânica. A Grécia, após de anos de farra fiscal recebeu a conta para pagar. Sem ter como, foi socorrida pela União Européia com acordo sobre um monumental pacote emergencial de resgate no valor de 1 trilhão de dólares para estabilizar os diversos mercados financeiros e evitar que a crise naquele país destruísse o euro. Vários são os governos que precisam apertar o cinto a fim de trazer suas finanças públicas de volta aos níveis fixados pelo Banco Central Europeu.

Na Grécia, o arrocho deverá ser impactante. A ponto de muitos temerem que o remédio possa vir a matar o paciente gerando instabilidade política e social no país.

O Reino Unido, com sua economia fora da zona do euro, mas em apuros e ainda viajando de aeroplano, enfrenta dificuldades na constituição de um novo governo. A Espanha, com níveis de desemprego preocupantes, patina. Portugal, Irlanda e Itália estão na linha de tiro.

Aqui, no país da marolinha, analistas esboçam preocupação sobre o vigor de nossa economia. O “boom” do consumo estimulado por incentivos fiscais e crédito farto gera incertezas por não se lastrear em poupança interna.

O Banco Central antevendo nuvens sombrias subiu fortemente os juros na semana passada, na tentativa de domar a inflação. E o mercado eleva as previsões de inflação para 2010.

A dívida pública brasileira, de R$ 650 bilhões em 2002, é hoje de R$ 1 trilhão 600 bilhões devendo crescer neste ano eleitoral. A Lei de Responsabilidade Fiscal é apenas aplicada para estados e municípios. O governo federal, por seu ministro da Fazenda, enfatiza que a lei não se aplica à União pelo risco de comprometer a estabilidade dos investimentos do governo… O orçamento geral da União, verdadeira caixa-preta, é indecifrável até para congressistas mais experientes, permitindo manobras de gastos opacos.

Como ninguém conhece o tamanho da encrenca lá no velho continente, emergentes podem ainda ser borrifados e terem que se enxugar. Leigos como você e eu só tem acesso às informações críticas muito depois do estopim ter sido aceso. E tanto lá como cá, são camufladas até que o guiso seja colocado no gato (que não é manso).

Assim, para não sermos pegos de surpresa e tentarmos nos precaver se for o caso, convém ficarmos de orelha em pé. Atentos para notícias que, em época eleitoral, costumam ser meticulosamente costuradas pelas agências.

E nunca é demais lembrar que o importante não são os fatos, mas sim a sua versão. Sem aversão, muita atenção.