As eleições se aproximam e tendem a se revestir de situações insólitas. O país dispõe de uma economia estável, aparentemente sólida e sem bolhas, segundo o governo. A economia mundial, ainda instável pelos graves problemas de desequilíbrio fiscal na Europa, pode surpreender em médio prazo.

A pré-candidata do presidente à presidência readquiriu a saúde, mas por seu temperamento e passado histórico não deverá ter vida fácil durante o período eleitoral. Nem depois, se ganhar.

A oposição, por sua vez, se apresentará com candidato reconhecidamente competente por sua experiência política e de administrador, mas sem aquele brilho que possa despertar entusiasmo no eleitorado, principalmente nos menos escolarizados.

Os verdes estarão representados pela ex-ministra do meio ambiente, com reduzidas chances de chegar a um segundo turno, se houver. Sua invejável integridade e transparência não devem ser suficientes para anotar uma surpresa ao fim do pleito.

Assim, não está descartada uma polarização entre as duas candidaturas de maior peso, com eco mais intenso para a candidata do carismático presidente dada a força da máquina do governo em eleições.

Por enquanto, os candidatos  estarão  ajustando estratégias e posturas sem grande exposição. Depois, a TV com os preciosos minutos doados a cada partido – produto de alianças inimagináveis – exibirá o desempenho de seus atores.

Os debates, estes sim, me parecem oferecer ao eleitor esclarecido uma visão mais nítida do que se pode esperar de cada um dos pretendentes. Faço referência sobre os esclarecidos, pois creio que aqueles que não o são terão dificuldade de entender embates muitas vezes sutis. Serão os alvejados pela propaganda gratuita que não exige qualquer análise mais crítica.

Brasileiros, em sua imensa maioria, não são politizados. Como resultado, são absolutamente ignorantes sobre a ideologia dos partidos dos candidatos. Candidatos ganham eleições, mas são os partidos que governam através de alianças muitas vezes mascaradas.

E nunca é demais lembrar que o país sofre, e muito, com infraestrutura sobejamente defasada. Infraestrutura que, em algum momento mais a frente, poderá comprometer seriamente seu desenvolvimento.

Por fim, a política externa brasileira tem sido objeto de avaliações distintas e deixado claros seus objetivos e preferências. O resultado das eleições poderá indicar, para o bem ou para o mal, o  caminho a ser trilhado.

Eleições que serão, sem dúvida, marcadas por manifestações contundentes. Quem viver verá.