A vaidade nos torna extremamente sensíveis às inevitáveis alterações corporais. Quando jovens adolescentes, queríamos encorpar. Encorpados, queremos manter o visual  através de exercícios, alimentação correta, esteticistas. Alguns até fazendo uso de condenáveis fármacos. A cirurgia plástica, que não raro  deforma rostos e corpos (quando não os mutila irreversivelmente desfigurando o físico e a auto-estima), impera campeã no Brasil.

Apreciamos mais o novo, ou o mais novo, por natureza. A exceção talvez fique por conta daquelas pequenas coisas que nos dão prazer íntimo. Aquele chinelo e sapato velhos, a calça que já deveria ter sido doada faz tempo, o casaco que já viu de tudo. Todos muito usados na intimidade de casa quando não precisamos nos apresentar a ninguém. Por puro e confortante deleite.

Mas a valorização exagerada do visual estético pode nos tornar prisioneiros de nós mesmos. As mulheres sempre foram cortejadas principalmente por seus atributos físicos. Em passado já um pouco distante, apesar de rechonchudinhas, faziam o maior sucesso.          Conheço poucas pessoas realmente felizes com o corpo e fisionomia que têm. O imenso Jô Soares fez regime para emagrecer há alguns anos. Emagreceu e sentiu-se uma pessoa com outra identidade. Recuperou-se, retornando ao peso e visual antigos. Voltou a ser o Jô.

Na outra ponta da linha assistimos pré-adolescentes se exibindo na televisão com visual adulto. Já não lhes é permitido serem e se apresentarem como são. Despersonalizam-se com o estímulo de pais ingênuos ou ignorantes em busca da quimera. Ao longo da jornada  não é improvável que precisem viver camufladas para serem aceitas. O preço a ser pago provavelmente não será pequeno e os danos à personalidade também.

Somos levados pela correnteza da vida, sempre influenciados por agentes externos, que tentam – e não raro conseguem – nos moldar em estereótipos. A despersonalização, evidente principalmente nas faixas etárias mais baixas, não deixa margem a dúvidas.

Mas a questão permanece: por que tantos têm tanta dificuldade em se aceitar como realmente são? Cuidar da aparência é fundamental. Saudável. Ter como modelo, modelos, atores ou atrizes, recauchutados pela mídia via photoshop, é abrir mão de sua identidade. Você é o que é. Eu sou o que sou. Sem subterfúgios.  Gostar-se parece ser o ingrediente fundamental para que sejamos apreciados e aceitos. Sou dos que acreditam que o nosso íntimo se reflete na aparência. Não importa a forma, cor ou idade.

Seria a recíproca verdadeira?

 

 

 

 

 

 

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RAdeATHAYDE