Complicada essa história de nuclearização de países. A hipocrisia predomina nas discussões, nos compromissos assumidos, nas concessões de interesse político, em acordos um tanto embaçados. Um faz-de-conta, onde a hegemonia bélica e econômica fala mais alto.

Voltando no tempo: o TNP – Tratado de Não Proliferação Nuclear assinado pelos Estados Unidos, Grã Bretanha, França, China, União Soviética (atualmente Rússia) em 1968, entrou em vigor a partir de 1970. Sem contestação, as cinco grandes potências contam, há anos,  com ogivas nucleares em seus arsenais.

Curiosamente, Índia e Paquistão, países que jamais assinaram qualquer tratado, a exemplo de Israel que nunca confirmou ou negou ser o país portador de armas nucleares, também possuem a bomba…

A Organização das Nações Unidas, criada em 1945 após o fim da Segunda Guerra Mundial, é regida pela batuta dos Estados Unidos e tem como caudatários os países com assento permanente naquele organismo; normalmente decidem e votam em bloco os destinos do mundo possuindo, ainda, o absurdo poder de veto.

O descompasso entre as realidades de ontem e de hoje, no entanto, tornaram obsoletos muitos dos princípios e objetivos da ONU. E como mediadora da paz mundial, sua imediata revitalização é, portanto, imperativa.

A corrida pela liderança no pós-guerra desencadeou uma outra: a armamentista, provocando visível desequilíbrio entre as forças dos diversos países. Castas nucleares foram se estabelecendo e tentando –não raro conseguindo – impor suas doutrinas pela dissuasão.

Os conflitos religiosos e étnicos no explosivo Oriente Médio, por exemplo, aliados à intromissão do Ocidente em suas terras por razões econômicas, gerando insegurança e desconfiança, comprovam que o  desarmamento nuclear almejado não será facilmente atingido.

A polêmica gerada pelo armamento nuclear de países como o suspeito Irã talvez permita – paradoxalmente – a detonação de um saudável processo que coloque em marcha a revisão sensata do sistema que já cumpriu sua missão.

As crises econômicas dos dois últimos anos estão a redesenhar o cenário geopolítico internacional redistribuindo forças entre as nações. Ótima oportunidade para a realização de amplo e responsável debate sobre uma nova ordem mundial, visando a preservação das espécies.

E, esperançosamente, impossibilitando a repetição do genocídio ocorrido em Hiroshima e Nagasaki, no Japão de 1945.