Um diploma universitário há algumas décadas atrás, levava o seu titular a ser chamado de doutor. À época, os cursos de doutorado estavam em seus primórdios o que permitiu, ao longo dos anos, fosse a prática paulatinamente abandonada. Novas gerações graduadas, pós-graduadas e doutoradas foram responsáveis pela feliz correção do rumo.

É bem verdade que qualquer pessoa que deixe seu carro nas mãos de um manobrista ou flanelinha transforma-se imediatamente em doutor. Coisas de nossa contracultura ainda não totalmente digeridas. Resquícios ainda permanecem em algumas situações, inexplicavelmente. Advogados, delegados de polícia (por serem bacharéis), pessoas de posição social e financeira  elevada, fazendeiros, diretores de muitas empresas brasileiras, ainda são agraciados, por bajulação, com o título indevido. Desrespeito aos verdadeiros Ph.D. (Philosophy Doctor, originário do inglês).

Claro está que nada impede que muitos dos mencionados possam ser de fato doutores. Basta, apenas, que tenham queimado as pestanas anos a fio para fazer jus ao honroso título.

O que mais chama atenção nessa ilustração universitária é o fato de que pessoas com qualquer curso universitário serem encaradas, perante a lei, como possuidoras de privilégios distintos dos demais mortais. Cometam elas o crime mais hediondo e terão, ao serem presas, direito a uma cela especial privativa nas dependências da polícia federal. Personalidades, ilustres, como os (doutores) Paulo Maluf, Daniel Dantas, José Arruda, entre tantos, já usufruíram desta benesse feudal. Enquanto os ladrões de galinhas…

A Constituição brasileira, em seu artigo 5, afirma que todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza. A intenção do legislador deve ter sido boa. Mas como por aqui ainda vale o refrão “aos amigos tudo, aos inimigos, a lei”, fica o dito por não dito.

Temos lido e assistido pela TV o descumprimento de leis eleitorais, descaso por impedimentos impostos pelo Ministério Público às contas da União, desprezo por condenações pelo Tribunal Superior de Justiça. E por quem? Pelo primeiro mandatário do país, com diploma de presidente da República. Os escândalos políticos, escancaradamente expostos, sem qualquer punição nos últimos anos, avalizam atitudes sombrias dos amigos chegados à Corte. E para estes, o diploma de curso universitário é desnecessário. Basta-lhes o diploma concedido pelo Superior Tribunal Eleitoral.

Diploma, no país do futebol, é salvo-conduto. Bola prá frente.