Gosto de assistir a um bom jogo de futebol. Já gostei mais, em passado não tão recente. A mercantilização desmedida do que antigamente se costumava chamar de esporte bretão, ao tempo de meus avós,  levou o esporte mais popular do país a optar, com o tempo, por uma troca de moedas. Não apenas por aqui, mas mundo afora também, onde tudo está globalizado.

Com a comercialização do futebol, o futebol se transformou em um negócio. Negócio de bilhões. Jogadores se tornaram mercadoria altamente valiosa para a Bolsa da Bola, com seus direitos federativos presos a empresas de marketing, pessoas físicas investidoras em talentos e, minimamente, aos clubes que os formaram. Assim, lucram todos: clubes, patrocinadores, boleiros, mídias transmissoras dos jogos, empresários.  Sem que nos esqueçamos da FIFA, criada em 1904 e mentora mundial de todos os espetáculos.

A verdade é que muitos dos jogadores de hoje mais lembram as estrelas de Hollywood de meados do século passado, pagos a peso de ouro, se tornando verdadeiras vedetes. Vivem regiamente em mansões, com direito a empresários, assessores de imprensa, sites na internet, carros importados, direitos de imagem e patrocínios espetaculares. Muitos donos de iates e jatos particulares.

Não muito diferente do que ocorre na Fórmula 1, inspiradora, talvez, do modelo adotado no jogo da bola, este também se tornou um grande circo para entretenimento de milhões. Mas negócio é negócio.

A Copa do Mundo na África tem nos dado uma claríssima demonstração do poderio financeiro do evento. Evento cuidadosamente planejado e executado mercadologicamente, visando primeiramente o público mundial através da televisão, direcionado para bilhões de telespectadores. Estes, de fato, consumidores em potencial.

O noticiário do cotidiano cedeu seu maior espaço às notícias da Copa relegando a segundo plano aquelas de tragédias como as do nosso nordeste e catástrofes climáticas na Europa. Como um rolo compressor, mais importantes se tornam fatos como a dor de dente de Maradona, o dia-a-dia de jogadores, deficiências da agora famosa bola Jabulani, erros de juízes. Tudo dentro do programado, tendo como alvo você e eu.

O fato é que com ou sem jogos daquela que se costumava chamar de seleção canarinho, o país vive um clima  de quase êxtase só comparado ao nosso famoso carnaval. Para alegria de milhões que, durante trinta dias, vivem de fantasia a expectativa de um sonho chamado Hexa.

Que a Copa de Ouro – em todos os sentidos – venha adornada com fita verde e amarela.