A Copa do Mundo está chegando ao fim, neste fim de semana. É o resultado de quatro anos de trabalho esportivo de seleções que tanto investiram para estar na África.

Algumas já sabiam de antemão que não iriam avançar muito na disputa. Outras, arrogantes como a Argentina, tinham como favas contadas o sucesso sem percalços. Nossa seleção, sempre badaladíssima, endeusada pela Vênus platinada que fez promoção espetacular em termos financeiros, cedeu e concedeu aos patrícios de nossos pioneiros – os holandeses – o justo direito de seguir adiante.

Tenho uma visão particular desse torneio que extasia bilhões de pessoas, aficionadas ou não do futebol. A propaganda, tipo rolo compressor por parte de todas as mídias, indústrias, prestadoras de serviço e afins não deixa ninguém de fora; nem mesmo aqueles que não se tocam com a Copa. Se tiver televisão, rádio ou jornais e revistas em casa, não há como escapar da contaminação.

A partir da classificação dos grupos para jogar as oitavas de final, começa o desfile de alegrias e frustrações de milhões de pessoas. Milhões que entram no clima dos jogos se envolvendo a tal ponto como se dos resultados dependessem o sucesso e realização de suas vidas.         Casas, apartamentos, lojas, em arroubo nacionalista uns, de olho nas vendas outros, embandeirados se espalham por todos os lados. Camisetas, bandeirolas, vestidos, tinta nos rostos, chapéus, bonés, nunca se viu tanto verde amarelo por aqui e cores das bandeiras dos países concorrentes lá fora.

Em horário de jogo de suas seleções os países param. Multidões se aglomeram em áreas públicas. Amigos se reúnem em bares, restaurantes, residências. Comoção nacional, qualquer que seja a nacionalidade.

São noventa minutos de expectativa e ansiedade para milhões, com os olhos grudados na TV, alternando momentos de nervosismo e alegria que se prolongam até  o apito final do juiz.

Ao assistirmos a cena final do levantamento da taça pelos campeões da Copa do Mundo, dois universos revelam um desequilíbrio de emoções incalculável. Milhões estarão realizados, sentindo-se como vencedores, orgulhosos, em explosão incontida. Outros tantos, no mesmo instante, desalentados pela derrota, amargam a perda da última oportunidade para soltar o grito da vitória.

E bilhões, que ao longo do torneio foram aceitando a realidade do fracasso de suas seleções, já conformados, se rendem à beleza da festa de um espetáculo único que oferecerá  a todos, em quatro anos, a expectativa de começar a viver tudo de novo.