Finalmente o  glamour do futebol – chamado de Copa do Mundo – chegou ao fim. Para alegria de muitos, notadamente dos jogadores espanhóis que embolsarão, cada um, 600 mil euros. Não se deve descartar a possibilidade de que, ainda, outros prêmios venham a ser concedidos na embriaguês da inédita vitória. Tudo pelo esporte!

Durante trinta dias o assunto do dia, e noite, foi Copa. As pessoas que gostam de se manter bem informadas sobre assuntos variados e conjunturais tiveram que pesquisar mais amiúde. De repente, a crise do euro na Europa, a situação preocupante com as economias da Grécia, Espanha e Portugal, o grave déficit da Grã-Bretanha que esta a exigir medidas austeras, deixaram de ser notícia importante. Os conflitos no Irã e Coréia do Norte, e até mesmo o sofrimento do povo do nordeste com os alagamentos recentes, foram relegados a segundo plano. E como num passe de mágica, o mundo parece ter ficado mais cor de rosa. Ou melhor, vermelho, na final…

Com as campanhas eleitorais ainda em aquecimento, o destaque nas últimas semanas tem sido o caso “Bruno”, exaustivamente noticiado pela mídia televisiva, sem trégua. Assuntos relevantes, com possíveis implicações na vida dos terráqueos, passaram ao largo.

Durante o evento na África li, surpreso, que pesquisa feita em São Paulo revelava que a procura por emprego havia caído substancialmente e que a razão era o interesse maior não pela oportunidade de garantir o sustento de amanhã, mas pelo simples prazer de ver a bola rolar.

Por essas e outras não surpreende que os índices de inadimplência no comércio e sistema financeiro tenham crescido durante o mês que passou. E devem permanecer assim até o fim do ano. O crédito farto oferecido pelas instituições a juros enganadores sempre leva incautos a assumirem compromissos que não poderão honrar no futuro. Nada muito diferente do que ocorre com alguns países. Só que nesses quem paga a conta é o contribuinte e nos endividados daqui é o malabarismo, com jeitinho, que resolve. É a velha história do “devo não nego, pago quando puder”.

Mas com a economia saudável, projetando crescimento inédito para o ano, não deve haver motivo para grandes preocupações, a curto prazo, dos que investem na produção.

E para coroar o retorno ao mundo real, os marqueteiros do planalto trabalham a todo vapor para, devotamente, esculpir certa imagem deslumbrante visando sua ampla exposição doméstica.

Haja cinzel!