Desde que nascemos somos orientados e avaliados por números. Logo após o primeiro suspiro fomos pesados em quilos e medidos em centímetros. Crescendo, não raro, nos encostavam à parede para efetuar medições com a régua. Entramos na escola e começamos a percorrer as séries: primeira, segunda e por aí vai. As notas que tiramos nos exames seguiam a rotina: 10, 9, 8 com alguma sorte é verdade. Alguns alunos, sem esforço, chegavam a ser os primeiros, os segundos da turma (o que nunca foi o meu caso). Ganhamos RG e CPF com 10 dígitos ou mais e que, a bem da verdade, nos fizeram sentir um pouco importantes.

Chega o primeiro emprego. A primeira vez (não necessariamente nessa ordem). O acesso à internet e ao celular exige senhas com no mínimo 8 dígitos. Vamos ao médico que nos pede “diga 33”. Pressão arterial de 12×8? Colesterol menor que 190? Valeu! A temida balança, que faz parte da vida diária de muita gente, não nos dá desconto. Fazemos compras por quilos e gramas, temos contas bancárias com saldos que podem ser coloridos, vermelho por exemplo. Nossos sapatos variam de 36 a 44. Devemos dormir 8 horas, beber 8 copos de água por dia, fazer exercícios 3 vezes por semana. Tirar férias uma vez por ano. Celebramos aniversários. Os anos, para alguns, podem deixar de ter 12 meses passando a ter 24, 36 ou até mais, dependendo das plásticas feitas e da habilidade dos magos dos bisturis.

Os 6 números mais cobiçados da semana, aqueles da mega-fezinha de cada um, podem mudar nosso destino. Somos totalmente dependentes dos números e, acredite, não podemos viver nem sobreviver sem eles. De quebra, somos o único país do mundo que possui moeda com 3 dígitos: gasolina a R$ 2,799 e dólar cotado a R$ 1,728.

Considerada por muitos como uma ciência, desde os tempos de Pitágoras, a numerologia possui inúmeros adeptos e não poucos a utilizam para avaliar situações e até mesmo tomarem decisões. Famosos, como artistas, chegam a alterar a forma de apresentar seus nomes, buscando o sucesso. Um exemplo é o de William Bonner, cujo nome de batismo é William Bonemer Júnior. Desconheço as razões da alteração mas, certamente, soa melhor causando a impressão de se tratar de um personagem internacional. Um entre muitos.

Minha amiga Helga Vilela, jornalista responsável por este jornal, intimou-me a fazer nesta crônica uso de exatos 2500 caracteres, com espaços, neles incluídos título e assinatura. Acertei na mosca.

Missão cumprida. Pode conferir.