Esta semana o famigerado horário político gratuito entrou novamente no ar. Para as classes menos esclarecidas, o blá, blá, blá cata-voto deverá causar algum impacto no resultado final das eleições. Para as demais, acredito que apenas os debates patrocinados pelas emissoras de televisão deverão mostrar com maior transparência quem é realmente quem na corrida para a presidência da República.

Por melhores que sejam os instrutores de oratória, de postura corporal e de artifícios enganosos, o temperamento e a personalidade dos candidatos em momentos de alta tensão falam mais alto. Como não existe a possibilidade de edição de imagens, por serem os debates ao vivo e a cores, a realidade se apresentará nua e crua. E aí, sim, véus podem cair.

Em eleições majoritárias pouca importância e divulgação se dá aos candidatos a vice-presidente. São indicados ou convocados aqueles que possam compor chapas e trazer ao candidato a presidência aglutinação de partidos com potencial eleitoral. Nada a ver com qualificação para o cargo. Uma imprudência.

Como nunca é descartável a possibilidade de vices, de uma hora para outra, passarem a ser responsáveis pelos destinos do país seria importante que ao eleitorado fosse dada a oportunidade de conhecer, com transparência, quem são os candidatos ao cargo. Não através do horário político obrigatório, mas sim através de debates exclusivos patrocinados pelas mesmas redes de TV. E dentro dos mesmos critérios.

A sugestão pode não ser atraente para as emissoras por razões mercadológicas. Mas é feita para que nos lembremos de nossa história republicana. O número de vice-presidentes que substituíram, por razões diversas e de forma definitiva, o titular na Presidência da República durante o período é significativo. De 1891 com Floriano Peixoto a 1992 com Itamar Franco foram, ao todo, sete os vices a assumir. E muitos deles protagonistas em momentos decisivos de nossa história.

Estamos conscientes de que vivemos em um mundo complexo, verdadeira aldeia global, como se em cima do fio da navalha. Não é responsável, portanto, se permitir à sociedade de uma potência em desenvolvimento como o Brasil que esta desconheça, em época de eleição majoritária, os personagens que possam vir a ser, excepcionalmente um dia, responsáveis pelos destinos do país.

Você teria coragem de fazer um vôo transcontinental sabendo que o co-piloto do comandante tem apenas brevê para voar teco-teco?

Bom fim-de-semana.