O  perfil social de nosso país está a indicar que precisamos mais de profissionais qualificados de nível médio que de nível superior. Eles são responsáveis por alguns dos inúmeros gargalos que atormentam a vida dos usuários de serviços por falta de capacitação profissional adequada.

Na área de saúde, por exemplo: “Hospitais oferecem remédios aos pacientes em horário e doses errados em ao menos um terço dos casos.” É o que aponta uma pesquisa realizada em cinco hospitais do Brasil pela USP de Ribeirão Preto e Universidade Federal de Minas Gerais.

Outra agravante, identificada pela pesquisa, foi a formação deficiente das equipes de enfermagem em questões relacionadas à segurança do paciente. “Erros também podem ocorrer por problemas como falhas no sistema de distribuição dos medicamentos e sobrecarga das equipes de trabalho”.

Por esse Brasil afora o número de hospitais que contam com equipes qualificadas de enfermagem de alto padrão é quase desprezível. E aí reside o nó górdio (nó impossível de se desatar) na área de atendimento hospitalar. Pacientes internados são, primeiramente, dependentes de enfermeiras, pois nem sempre médicos estão disponíveis em situações emergenciais. Se você já esteve internado, ou acompanhou alguém internado em hospital, com certeza já vivenciou situações como as descritas.

Por outro lado, quando se fala em formação superior, não podemos ignorar que o nível de nossas faculdades e universidades – com honrosas exceções – não é de menção honrosa.

Impotentes, somos todos reféns de um sistema que privilegia a quantidade em detrimento da qualidade, deixando-nos órfãos em momentos cruciais de nossas vidas.

Maior exemplo dessa (des)qualificação é o índice alarmante de reprovações em exames da Ordem dos Advogados do Brasil. Se os formados em engenharia e medicina, já habilitados a exercer a profissão, fossem obrigados a passar por exames de capacitação profissional perante seus conselhos federais ou regionais, a qualidade e segurança dos serviços por eles prestados à população certamente seria de outro nível.

O retrato não é o de um país subdesenvolvido ao extremo, perdido na geografia desconhecida. É o de um país que se jacta de sua pujança econômica e desenvolvimento.

O crescimento econômico brasileiro tem contemplado como prioritários o aumento de renda e o consumo. A melhoria na qualidade dos serviços de saúde e educação da população, no entanto, tem sido relegada.

Assim, quem sustentará quem em tempos de vacas magras?