Depois de mais de 4 mil mortos e cerca de 16 mil soldados feridos e mutilados, incapacitados para o resto de suas vidas, o governo norte-americano está deixando as terras invadidas do Iraque, mas ainda mantendo 50 mil homens por lá.

O número de baixas se refere, apenas, aos americanos que partiram e não voltaram, deixando famílias enlutadas, e àqueles que voltaram para sobreviver em condições jamais imaginadas. Do lado iraquiano, as cifras alcançam mais de cem mil vítimas entre civis e militares.

Este é, por enquanto, o resultado de uma invasão com propósitos maquiados, por um país que se outorga senhor da democracia e que sempre pretendeu impor sua visão do mundo onde quer que se apresentasse uma oportunidade. Mas com o custo da aventura já ultrapassando 1 trilhão de dólares, não há muito que comemorar.

Nem o retorno de contingentes para casa (deles), nem o que está restando de um país com história milenar que foi o berço da civilização suméria (a civilização mais antiga do mundo) por volta de 4000 a.C. podem aliviar o sofrimento infligido. Uma parte da história da humanidade foi destruida, sem volta, irresponsavelmente.

A insensatez humana continua invertendo parâmetros priorizando interesses de legitimidade duvidosa. Estamos vivendo em um mundo conturbado pela violência e medo, assolado pela inclemência climática em todo o planeta. Sem preferência de escolha, assistimos a enchentes monumentais por um lado e, surpreendentemente, secas e incêndios por outro, trazendo devastação, fome e miséria a milhões de pessoas inocentes e desprotegidas.

Estas são as guerras cujas prioridades deveriam estar sendo atendidas, preventivamente, com os recursos hoje desviados para ações bélicas e de expansionismo ao melhor estilo das colonizações de séculos atrás. Parece não haver dúvidas que os terráqueos estão recebendo – e não percebendo – mensagens cada vez mais contundentes da natureza. Em todos os hemisférios e estações do ano. Ao mesmo tempo e sem regras conhecidas.  Sem aviso prévio.

Apesar de os fenômenos desastrosos se repetirem ano após ano, com maior intensidade a cada ano, burocracia, falta de verbas orçamentárias, vontade política e inação de governos – e não apenas do nosso – levam ao surgimento de soluções emergenciais somente quando da ocorrência de novas catástrofes. Ao custo irremediável de vidas humanas, vítimas de guerras tão sofridas quanto as outras.

“Escava o poço antes que tenhas sede.” (Provérbio chinês)

 

 

 

 

 

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RAdeATHAYDE