“Ajuda-me que eu te ajudarei.” (…)

Eleições se sucedem a cada quadriênio. O Congresso Nacional, como sempre, desaloja algumas peças após abertas as urnas. Muitas (peças) conseguem se manter em suas confortáveis poltronas no plenário para, por mais quatro ou oito anos, desfrutarem das benesses que o poder lhes oferece gratuitamente. Usufruindo de privilégios que a maioria dos demais mortais sequer tem conhecimento. Desde a remuneração aviltante, verdadeira insolência aos trabalhadores e aposentados brasileiros, gozando de mordomias dignas de sultões como se vivêssemos por aqui as mil e uma noites, até regalias como as de se permitirem comparecer a Brasília apenas às terças feiras, voando para casa às quintas, quando não cabulam. Insolência em dobro, amoral, vergonha nacional!

A verdade é que o corporativismo instalado na política brasileira proíbe qualquer mudança nas regras do jogo. Jogo que propicia o enriquecimento ilícito de peças, com direito à proteção por imunidades imperiais, desvinculo de ideologias – exceto as do partido do governo, que sabe exatamente aonde quer chegar – falta de comprometimento com as leis vigentes e ainda protegidas que são, veladamente, pelas instituições às quais deveriam estar, também, submetidas.

Quero crer que o grande agente responsável pelo impedimento de mudanças profundas na política deste país é o voto obrigatório!

Com o voto obrigatório – solução antidemocrática para eleger os representantes do povo – a manipulação de eleitores menos esclarecidos e instruídos é sempre mais fácil. Sem ele, e sem a obrigação de ter que  escolher qualquer candidato, recados claros e inequívocos poderiam ser passados pela sociedade em épocas de eleição.

Mas para isso seria vital que o papel a ser desempenhado pela imprensa no esclarecimento, elucidação e cobrança de respostas para a solução de casos escabrosos – como aqueles a que temos assistido incessantemente – fosse de total isenção. Uma quimera, por certo.

Os mais atentos percebem que as mídias torcem – ou distorcem – as informações conforme seu comprometimento. As emissoras de TV, ao lado das de rádio, não tem qualquer compromisso com a lisura das informações transmitidas: são todas concessionárias do governo e reféns da imprensa oficial. Não é por outra razão, portanto, que poderosos políticos gozam das benesses governamentais, donos que são de impérios de comunicação. Como na oração de São Francisco: é dando que se recebe.

Quanto a nós, só resta ponderar…