Economia é uma ciência complexa que, usada com habilidade pelos “experts”, faz com que você e eu fiquemos sempre em dúvida sobre o que de fato significam números divulgados.

A imprensa nos brinda diariamente com uma enxurrada deles, cuidadosamente elaborados, que nossa memória registra passivamente sem qualquer questionamento crítico de análise.

O mais grave é que informações e comparações sobre inflação, inadimplência, índices de desemprego, crescimento econômico, INPCA, PIB e outras irreconhecíveis siglas podem nos passar uma imagem distorcida da realidade.

No caso brasileiro, é indiscutível que a economia vai bem. As razões internas e externas são muitas, já avaliadas e reavaliadas pelos economistas de plantão. Mas momentos são momentos e, tanto na vida como na contabilidade, não existe crédito sem débito, fator de equilíbrio inevitável.

Segundo a Serasa Experian, a inadimplência do consumidor no Brasil cresceu em agosto, registrando a maior alta nesse mês desde 2005. E que as dívidas com cartões de crédito e financeiras foram as principais responsáveis pelo crescimento. A justificativa oficial: o consumidor durante a Copa do Mundo comprou produtos de maior valor agregado, acumulou dívidas e com isso não conseguiu honrar seus compromissos. A se aceitar o argumento, as compras para as festas de fim de ano deverão trazer mais desafios. Há quem esteja preocupado com o andar desta carruagem.

O prognóstico para a Selic (taxa de juros definida pelo Banco Central) é de que deverá permanecer estável até o fim do ano; para o próximo, está estimada em 11,75%, maior que a atual. A projeção para o crescimento da economia brasileira neste ano é de 7,42%. Já para 2011, a estimativa é de 4,50%. Pé no freio, com preocupação inflacionária?

O saldo entre exportações e importações brasileiras em 2010 projeta um resultado de US$ 15 bilhões, ou 48.9% menor se comparado com 2009. Para 2011 o mercado projeta US$ 9,56 bilhões… Desindustrialização, com câmbio desfavorável às exportações, mercado externo ainda tentando acertar suas comprometidas contas? Baixas cotações para nossas “commodities” (produtos agrícolas e minerais comercializados no exterior) cuja receita representa 70% da pauta de exportação do Brasil?

Estes são apenas alguns indicadores, a exemplo dos muitos mais veiculados pela imprensa, e não pretende ser resultado de análise. São números que para um leigo como eu, e possivelmente como você, mostram que poderá existir algo mais que aviões de carreira em nosso formoso céu, risonho e límpido.

Vira-se o ano e revolvem-se os números?