Brasileiros são famosos por suas habilidades; nem todas elogiáveis, é verdade. Mas como povo paradoxal, surpreende por vezes. No desenvolvimento tecnológico, por exemplo, temos estado presentes mundo afora com reconhecimento digno de primeiro mundo: é o caso de nosso sistema eleitoral.

Considerado um dos mais eficazes do mundo, e – sem qualquer ufanismo – o mais eficiente, o processo se destaca pela excelência com que é conduzido. Não apenas pela utilização da urna eletrônica como veículo aferidor, mas pelo conjunto de medidas que exigem altíssima qualificação técnica e logística de ponta.

Em um país de dimensões continentais, onde urnas têm de ser deslocadas até por barcos, em face de ausência de estradas ou aeroportos em diversos municípios, a tarefa é hercúlea. São cerca de 130 milhões de eleitores espalhados por esse mundão verde e amarelo.  Com data e horário rígidos para começar e terminar o pleito, abrangendo fusos horários distintos. Para um povo pouco afeito a respeitar horários em compromissos, o feito é simplesmente memorável, pois metas são atingidas e dificuldades tecnológicas resolvidas no ato.

Deslumbra-nos, ainda, o fato de que cerca de seis horas após o fechamento das urnas, em 3 de outubro de 2010, o Brasil já conhecia o resultado da eleição para a presidência da República. Em nenhum lugar deste planeta ocorre algo sequer parecido.

Para que se tenha uma idéia da magnificência do projeto da urna eletrônica, lembro que esteve nele envolvido, em 1995, sob a batuta do Tribunal Superior Eleitoral – TSE, uma comissão técnica liderada por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e do Centro Técnico Aeroespacial (CTA) de São José dos Campos (SP). Comissão que definiu a especificação de requisitos funcionais.

E mais: o equipamento responsável pela automatização de 100% das eleições foi lançado no Brasil em 1996 e, hoje, já dispõe de leitura biométrica a qual permite a identificação do eleitor pelo reconhecimento de sua impressão digital.

Mais que números e mais números de natureza econômica, divulgados diariamente pela mídia, sempre exaltando nossa capacidade de sustentação, caberia à população conhecer também – até a título de ilustração educativa – o que de extraordinário se faz neste país em termos tecnológicos. Não é pouco nem pouco significativo. Um dos múltiplos exemplos acaba de ser descrito.

Ao TSE, maestro de nossa eficácia eleitoral, e dedicados cientistas brasileiros,  nossas homenagens.