Acompanhamos diariamente pela televisão e jornais debates, ou melhor, troca de acusações, em nome de campanha eleitoral. Observadores mais esclarecidos conseguem distinguir bravatas eleitoreiras de programas nebulosos de governo. Mas como a maioria de nosso povo não é esclarecida, pois desinformada e despolitizada, o que conta mesmo, em campanhas do gênero, são articulações intramuros e conchavos extramuros.

Fosse outro o perfil do eleitorado brasileiro e estaríamos assistindo a debates em torno de programas e projetos de maior interesse para a sociedade; a serem implantados neste país carente de educação, saúde e segurança, para se dizer o mínimo. A economia que ao som das trombetas vai tão bem não produz eco em escolas, hospitais da rede pública, segurança da população. A exemplo do que ocorre com os salários aviltantes recebidos por aqueles responsáveis pela transmissão de conhecimento e formação de nossos filhos e netos.  E que não são diferentes dos pagos aos abnegados cuidadores de nossa saúde, nem àqueles que arriscam suas vidas nos morros do Rio de Janeiro e ruas das grandes cidades. E nestas searas, a nos envergonhar pela mais absoluta falta de infraestrutura para atender às necessidades mínimas de eficiência, respeito  e consideração pelo ser humano. Pelo cidadão.

Assim, nos encontramos diante de um quadro desalentador que nos deixa realmente no escuro sobre que tipo de governo nos aguarda, qualquer que seja o resultado último. Fala-se muito, debate-se(?) muito, acusa-se muito, esclarece-se muito pouco. Ficam no ar conjecturas que tentam moldar a opinião pública na tentativa de transformar eleitores em simples marionetes.

Analistas políticos, jornalistas, institutos de pesquisa, mídias impressa e televisiva – com raras exceções –  tratam o assunto como espetáculo circense, promovido por interesses mais de marketing que público, pactuando com a desorientação para com aqueles que precisam e devem ser esclarecidos. Ou seja, todos nós.

O dicionário nos ensina que convicção significa “forte confiança ou crença em alguma coisa”. Nosso convencimento é feito através do que nos é dito e mostrado. Informações visivelmente manipuladas – ainda que procedentes no seu conteúdo, mas não em sua forma – nos entorpecem tentando fazer-nos acreditar que gatos são lebres. Que à noite todos os gatos são pardos. Não são.

Mas quem haverá de acender a vela?