Durante a caminhada pela vida somos defrontados com escolhas a serem feitas, até por falta de opção. É bem verdade que não nos cabe, sempre, escolher. Existem situações onde a escolha se torna impossível independentemente dos desígnios. Desconsiderando preceitos religiosos e filosóficos, não escolhemos nossos pais. Tão pouco irmãos e parentes. O sexo de nossos filhos não pode ser escolhido assim como suas características. Tudo fora de nosso controle.

O início da caminhada começa por ai, e ao longo dela, até inconscientemente, nos vemos fazendo escolhas durante cada dia de nossas vidas. Não há como evitá-las para o bem ou para mal. E ao nos depararmos com resultados inesperados lamentamos “ah se eu pudesse voltar atrás”. É claro que ninguém em sã consciência escolhe a pior opção em qualquer circunstância. Mas como não temos bolinha de cristal, o melhor que sempre fazemos é usar o discernimento e conhecimento adquiridos através de nossa vivência.

Não escrevi uma frase sequer, até este momento, que não significasse o “óbvio ululante”, expressão cunhada pelo já falecido jornalista e dramaturgo Nelson Rodrigues.

Mas esta foi a minha escolha para, a partir deste instante, repensar a forma de como decidir sobre os próximos passos a serem dados na estrada a ser ainda percorrida. Presumo que minhas escolhas são sempre conscientes e que me levam a tomar atitudes de acordo.

Somos seres extremamente vulneráveis e sensíveis a tudo que nos é dito e apresentado de forma contundente, exposto em ambiente previamente preparado para nos convencer. É o caso da propaganda e publicidade fazendo uso de técnicas cada vez mais sofisticadas que a tecnologia permite formular. Até subliminarmente somos reféns de mensagens lidas e ouvidas que nos tornam incapacitados a identificar o que é verossímil e o que não é.

Sinto-me como presa permanente de manhas cuidadosamente elaboradas que tentam me induzir a agir desta ou daquela forma, não deixando espaço para que possa decidir de acordo com minha consciência, valores, princípios e formação. A força dessa maquiavélica máquina é tão forte que se torna quase impossível resistir.

Com a mente embotada, somos induzidos a comprar o que não precisamos, optar por alternativas duvidosas, fazer escolhas pensadas por outros, minando nossa pessoalidade e liberdade. Sem cautela, nos tornamos alvos fáceis e candidatos a nos vestirmos com as fantasias oferecidas.

Mente alerta e atenção plena, para não se deixar iludir.