A festa acabou. Sem nenhuma surpresa. No segundo turno, ao apertarmos a tecla na cabine, permanecemos ignorantes sobre quais seriam as propostas de governo dos postulantes ao cargo máximo deste país. Meses se passaram sem que ambos tivessem competência, interesse ou um mínimo de respeito pelo cidadão-eleitor, para esclarecê-lo com propostas que o levassem a escolher a melhor segundo seu julgamento.

Não surpreende, tão pouco, que tenha sido assim. Os níveis de escolaridade, educação e politização de nosso povo estão mais próximos daqueles que lembram uma época onde pão e circo davam a tônica dos princípios de governança. Ou daquela, quando milhões de cidadãos foram cortejados com apelos de convencimento duvidoso e promessas de um futuro paradisíaco.

Entendo que nosso país não tenha vivido uma situação parecida com a atual desde os anos 60. Período marcado por eleições democráticas e nem tanto, renúncia a mandato e impeachment de presidentes da república, falecimento de presidente eleito na véspera de sua posse, reeleição – sem percalços – de dois presidentes nos últimos dezesseis anos.

E pela primeira vez, agora, estaremos vivenciando um “terceiro mandato” consecutivo, fruto de eleições livres. A eleição da presidente, eleita por força e obra de um líder carismático, instaura o continuísmo já alardeado durante toda a campanha. O de um governo cujo presidente é dono de índices de aprovação jamais vistos antes na história deste país.

Resta conferir, no entanto, se presidência e governo, a partir de 2011, haverão de residir no mesmo corpo.

Quero e preciso crer, que o novo Brasil, fruto de dois ciclos relevantes e desenvolvimentistas, vai seguir seu caminho sem transtornos. O primeiro, que estabilizou a moeda então dilacerada pela inflação e criou as bases para a consolidação de uma economia pujante foi complementado, no segundo, pela herança de políticas saudáveis, anteriores, fazendo-se presente de forma incontestável no cenário mundial.

Assim, apesar de uma conjuntura mundial que ainda não encontrou seu caminho de recuperação econômica poder vir a causar algum impacto em nosso porvir, precisamos ser otimistas e cautelosos. Respeito à Constituição e aos princípios democráticos, preservando-se a obediência às leis sem subterfúgios, é o mínimo que se pode esperar de qualquer governante.

Em qualquer país, inclusive no nosso!