Afinal, o que está ocorrendo em nosso mundo de tantas  desigualdades, incompreensões, desacertos, incoerências Pode-se argumentar que nada mudou ao longo do tempo e que continuamos todos por aqui, geração após geração, sobrevivendo até a hora de nos despedirmos ou sermos despedidos.

Bactérias que crescem em agressividade, animais em extinção, plantas e matas que ainda conseguem sobreviver ao predador maior, o homem, ar cada vez mais impuro, água escasseando, alimentos insuficientes para alimentar a todos os terráqueos. Sem exceção insistem, por instinto de conservação uns e persistência da natureza outros, em continuar por aqui.

A espécie humana é, supostamente, a mais inteligente eis que dotada de raciocínio. Inteligente, mas não sábia. Se assim fosse, encontraria o caminho da eliminação das diferenças compreendendo que resistências podem ser contornadas sem enfrentamento. Há de se argumentar, novamente, que invasões, por exemplo, só podem ser combatidas belicosamente, para manutenção da soberania, origem de conflitos irracionais. E se lamentar, sempre tardiamente, que depois do extermínio de milhares de vidas a convivência se torna possível. Seja por razões econômicas ou criação de novas parcerias para enfrentar desafios decorrentes de uma nova ordem global,  interesses – sempre eles – levam inimigos de ontem a se tornarem aliados de hoje.

Quero crer que nunca antes, neste mundo globalizado, unido pela informação, mas desunido pela confrontação, a deterioração de propósitos, valores e princípios tenha atingido nível tão crítico e preocupante. A incompreensão dos povos e a intolerância para com a forma de viver e pensar de outros tantos nos coloca na posição do cachorro que quer morder o próprio rabo.

Acredito que o grande desacerto vivido pelos seres humanos resulta, fundamentalmente, da ditadura econômica antropofágica imposta por governos, desrespeito absoluto pela cultura do próximo e, sobretudo, pela hipocrisia com que se relacionam. Ignoram as necessidades básicas de seus semelhantes fechando os olhos para o que de pior pode existir: a miséria, a fome, a insalubridade.

Londres, Paris, New York são antíteses de Conacri, Kigali e Lusaka. Estas são capitais de alguns dos países africanos incluídos entre os 20 mais pobres do mundo: Guiné, Ruanda, Zâmbia. Capitais que,  provavelmente, você nunca ouviu falar antes. Vivendo contrastes alarmantes que deveriam nos envergonhar. Ainda assim, nos comportamos como boiadas e não como boiadeiros.

Por onde andarão escondidos os berrantes?