Todas as semanas estou presente neste espaço dedicado às minhas crônicas. São mensagens, análises, pontos de vista, expostos não para marcar uma posição mas, simplesmente, colocar um pensamento em ação. Dar uma contribuição, quem sabe, esclarecendo ou alertando para fatos que me parecem oportunos para reflexão.

O mais interessante e curioso é que não tenho a menor idéia de quem você é, se me lê assídua ou esporadicamente. Se é homem, mulher, jovem, adulto(a) ou idoso(a). Tenho consciência da situação difícil que é, se não impossível, a de agradar a todos; é como navegar em mar revolto, em meio à neblina cerrada, sem bússola. E fica sempre a expectativa se os temas merecerão sua atenção e justificarão o tempo que você dedica à sua leitura e o meu à sua formulação.

Mas, creia, é uma atividade extremamente prazerosa, a de escrever. Sinto nela uma espécie de cumplicidade de confessionário, onde aquele que escreve espera pela indulgência de seu leitor.

Lemos por prazer, para nos mantermos atualizados e até mesmo passar o tempo. O brasileiro, em expressivo número e como é notório, não é afeito à leitura, seja de livros ou jornais e revistas. O que, obviamente, contribui para o fato de imensa maioria não conseguir se expressar corretamente pela escrita. E que não exclui, também e com todo respeito, muitos daqueles com diplomas de curso superior pendurados na parede. A propósito, não é sequer condição “sine qua non” – literalmente ‘sem a qual não’ – que qualquer cidadão brasileiro tenha pleno domínio da língua portuguesa para se tornar deputado federal e, até mesmo, orgulhosamente, presidente da República. Aliás, esta é situação pior que tiririca no meio do jardim.

Quero crer que as pessoas, espontaneamente, têm vontade de escrever. Não são poucas, principalmente jovens e adolescentes, adultos inclusive, as que escrevem diários. Entendo que registrar experiências, alegrias, anseios, angústias, tornam a jornada mais leve e, um dia quem sabe, recordar que preocupações foram infundadas e os desejos realizados em um tempo que não volta mais. E talvez não seja por outra razão que a comunicação virtual venha colocando milhões de pessoas na condição de blogueiros e blogueiras.

Tenho por hábito ler crônicas de articulistas consagrados e inteligentes. E quando é o caso, escrever-lhes sobre o que penso sobre suas colocações. Como quem escreve lê, mas a recíproca nem sempre é verdadeira, fica sempre no ar o que se passa nessa rota de interação.

Se você tem uma posição a respeito, não se acanhe.