Fim de ano, festas chegando, confraternizações regadas com alegria e descontração à solta. O mundo parece adquirir um novo colorido, muitos mergulhando no “espírito do Natal” e outros tantos simplesmente se envolvendo com compras de presentes para amigos e parentes. Quase um tempo mágico onde tudo parece ser mais leve, menos preocupante ou, ainda, época de se postergar as preocupações para o novo ano depois da virada. Afinal, ano novo, vida nova.

Incrível como o calendário, hábitos e costumes podem impactar nossas vidas com cores de arco-íris iluminando nossas cabeças. Não seria exagero comparar o momento com aquele de uma viagem tão sonhada e aguardada se realizando, onde tudo e todos os motivos de medos, ansiedades e inquietações ficam para trás. E até mesmo sabermos, filosoficamente, que estamos sempre em viagem, com várias escalas aqui e ali, subindo e descendo, mas seguindo sempre em frente com a passagem comprada.

Certo que não todos, mas não poucos é verdade, permitem relaxar muitas das regras estabelecidas ou impostas para curtir um pouco mais a vida com alegria, nesse período de festas. As dietas ficam para a semana que vem e as despesas com os cartões de crédito… para o ano que vem.  Sempre foi  assim e todos (ou quase todos) conseguem sobreviver ao período sem grandes seqüelas.

Mas, devo confessar, e recordar com certa nostalgia, que quando criança os presentes que ganhava no Natal me eram desconhecidos até a meia noite da noite encantada. Papai Noel, em quem acreditei durante muitos natais, era figura dos contos que lia e ouvia, como os das Viagens de Gulliver,  Peter Pan  ou os escritos por Hans Christian Andersen. O mundo da fantasia que me levava – e àqueles de minha idade – a viajar com imaginação e encantamento, me permitiu ser criança por muito tempo. Sinto, com certo pesar, que às crianças já não é mais permitido sonhar, imaginar, fabular. Se são outros os tempos – e eles sempre foram outros – crianças são crianças até que deixem de sê-los mais por ingerência de adultos que da própria natureza. Considero-me grato e privilegiado por não ter sido obrigado a queimar etapas e ter consciência de que, realmente, tive infância.

É gratificante, no entanto, lembrar que apesar do Natal comercial levar como tsunamis populações inteiras a consumir o que podem e o que não podem, outras tantas ainda permanecem conscientes da importância e significado da data celebrando  o momento com respeito e devoção.

Ave!

Feliz Natal. Prettige Kerstdagen.