Impressionam-me as conseqüências do crescimento demográfico exacerbado e a arrogância com que prestadores de serviço, fornecedores  e indústrias vêm nos tratando.

No caso do transporte aéreo de passageiros, as aeronaves crescem em tamanho e em desconforto pelo espaço concedido aos assentados… O Airbus A380, por exemplo, de fabricação francesa, tem capacidade para transportar um mínimo de 555 até um máximo de 845 passageiros. Essa última configuração é suficiente para apertá-lo um pouco mais um pouco menos, em uma viagem nesse mamute de asas, caso você possa vir a ser um dos agraciados.

O período é de férias, aeroportos e vôos lotados, situação complicada para não dizer caótica. E mais: recente pesquisa da UFSCar mostrou que os passageiros têm dificuldade para dormir e se levantar para ir ao banheiro durante as viagens. Em qualquer tipo de avião. Isso porque o espaço disponível para acomodar os passageiros é cada vez menor. E pode diminuir mais ainda: a companhia aérea irlandesa Ryanair quer criar os “assentos verticais” em que o passageiro voa em pé. Não se anime, eis que as viagens são pagas pelos bípedes.

Indo mais longe, quanto à segurança nos vôos, a empresa australiana Qantas Airways, em menos de duas semanas, no final do ano passado, teve problemas em três deles, internacionais. Turbinas falhando, uma explodindo e até liberação de fumaça dentro da cabine, deixam dúvidas no ar.

Segundo consta, o transporte aéreo trabalha com margens de lucro estreitas. A guerra para manter seus assentos ocupados e rentáveis tem levado as empresas a enxugar seus custos operacionais ao extremo e a rever, para baixo, a qualidade de seus serviços de bordo, que deixam os mais antigos com saudades da VARIG. Se você não é daquela geração, a sigla que muitos faziam gozação como sendo “Vários Alemães Reunidos Iludindo Gaúchos” era Viação Aérea Rio Grandense… Bons tempos.

A verdade é que somos 6.6 bilhões de terráqueos, com previsão de chegarmos a 8 ou 9 bi em apenas 40 anos. O planeta está ficando pequeno para abrigar, alimentar, tratar da saúde, educar, tanta gente.

A questão do transporte aéreo é apenas um singelo exemplo do quanto estamos sendo forçados a engolir, goela abaixo, tudo que nos é imposto pelas impunes prestadoras de serviços. Sem opção, somos reféns de verdadeiras máfias. Não me surpreenderia se, em breve, viermos a ser conhecidos apenas pelo CPF.

Caso você tenha sugestões a fazer para tentar reverter este quadro, sinta-se a vontade. O endereço abaixo se encontra à sua disposição.