O início do ano político anda calmo. As atividades do novo governo instalado em Brasília, nestas primeiras semanas, contrastam com  as do anterior, causando a impressão que nada acontece por lá. Certamente isto não é verdade, haja vista a montagem do segundo escalão, a pleno vapor, na tentativa de agradar a gregos e troianos cobrando seu quinhão depois da eleição. Surpreenderam o silêncio e a relativa tranqüilidade em que transcorreu a nomeação dos ministros do primeiro time, apesar de alguns desacertos terem vazado para a imprensa.

Com o cidadão Luiz Inácio presumivelmente fora do circuito,  mas provavelmente preparando as futuras palestras que, segundo divulgado pela imprensa, deverá proferir  – e assim engordar sua conta bancária em cerca de 200 “pilas” cada –  o noticiário, entrevistas e afins se encontram esvaziados.

Depois de oito anos de bombardeio diário, invariavelmente assistindo-se à sua presença pela televisão da maneira que sempre lhe foi confortável, em cerimônias e palanques com microfone às mãos, a calmaria retorna. Com o recato demonstrado pela presidente até o momento, sem dúvida mais condizente com o exercício do cargo, fica a impressão de que o governo federal trabalha mais e se expõe menos. De quebra, transmite à população a agradável sensação de que existe comando presente com os pés em Brasília e não na imensidão dos céus a 900 km por hora.

Por enquanto, apesar do pouco tempo decorrido, parece que o estrelismo ministerial não deverá piscar suas luzes. Parece. É bem verdade que com o congresso em seu glorioso recesso existe pouca movimentação política de interesses a serem definidos. Vossas excelências estão a usufruir, por antecipação, o aumento de 62% em seus salários, fruto da vergonhosa votação relâmpago e em tempo recorde ao apagar das luzes do ano passado. Enquanto isto, a definição do salário mínimo de milhões que gozam apenas trinta dias de férias por ano, está a exigir profundos estudos para não comprometer o orçamento da União…

Segundo matéria publicada pela Folha de SP, cada congressista brasileiro representará um custo médio de R$ 128 mil por mês, se computados outros benefícios além do salário, como passagens aéreas e outra aberrações. O valor equivale à bagatela de R$ 1.536.000,00 por ano. Mas o salário mínimo a ser aprovado por aquele mesmo congresso deverá ser 0.46% daquele, que não é mínimo, de um parlamentar.

Não é piada de Tiririca que, aliás, já disse que deu sorte.

É prá lamentar!