Dois episódios recentes envolvendo auxiliares de enfermagem causaram pesar irreversível. A que causou a morte de uma menina de 12 anos em fins do ano passado, por ter sido injetado em sua veia vaselina ao invés de soro; e a da semana passada, envolvendo uma pequenina de apenas um ano de idade, que após receber medicação intravenosa, teve a ponta de um dedo decepada por uma tesoura para retirada de bandagem. Onde? Em São Paulo, centro de excelência e referência na área médica.

Sempre entendi que saúde e educação caminham juntas em todos os sentidos. A interação entre ambas é total, pois uma não subsiste sem a outra. Nos casos citados não creio haver dúvida sobre a ausência de intenção. Conhecimento técnico de qualidade duvidosa, incompetência, inexistência de reciclagem, falta de embasamento na formação profissional, supervisão inadequada, são fatores que levam ou podem levar a acontecimentos como os descritos.

As áreas médica e de engenharia são as mais sujeitas a tragédias. Em minha ótica, é inconcebível que diplomados destas áreas não sejam obrigados a prestar exames de proficiência profissional depois de graduados, a exemplo do que já ocorre na área do Direito onde é exigido  que  bacharéis sejam submetidos ao exame da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). A discutível qualidade de nosso ensino superior e técnico, com evidentes exceções, impõe a implantação imediata de um sistema espelhado naquele da OAB para as áreas em questão. Nos exames da Ordem, é notório e alarmante o número de reprovações.

Se os mais elementares preceitos de prevenção e manutenção da saúde e segurança exigem um mínimo de conhecimento compatível – seja ela social ou  familiar  – o que se esperar da formação profissional  dos dedicados às “áreas de risco”?

O país cresce em população, sobejamente carente de qualidade e quantidade nestas áreas e sofre, ainda mais, pela absoluta falta de infra-estrutura nestes e em outros segmentos necessários para atender à demanda crescente pelos serviços essenciais.

Para 2011, o Orçamento Geral da União destina R$ 70,9 bilhões (3.6%) à Saúde. A Educação receberá R$ 54 bilhões (2.7%). Uma merreca, segundo especialistas! Já para as despesas com pessoal estão reservados R$ 199,7 bilhões (9.6%)…

Não desanime. Tempos melhores estão por vir. O deputado federal Francisco Everardo Oliveira Silva, o Tiririca,  sem fazer piada, revelou que poderá fazer parte de comissões como Cultura e Educação nessa legislatura.

Pátria amada, idolatrada, salve! Salve!