Os movimentos contestatórios que vêm ocorrendo nas últimas semanas no norte da África e Oriente Médio têm levado muitos a rever a geografia apreendida na escola.

Depois das primeira e segunda guerras mundiais, países daquelas regiões foram criados, colonizados e demarcados mais de uma vez. Alguns dos africanos adquiriram sua independência, sendo governados há trinta, quarenta anos por ditaduras implacáveis que agora começam a desmoronar. Outros, sultanatos e emirados árabes, dispondo das riquezas petróleo e gás, têm sido adulados e protegidos militar e economicamente pelas potências ocidentais, há décadas, visando suprimento contínuo desses produtos, vitais para a sobrevivência de suas economias.

Hipocritamente, ao longo do tempo, estas potências fecharam os olhos, permitiram e contribuíram para que oligarquias e regimes autoritários continuassem a se sustentar com o objetivo único de privilegiar seus interesses. Sem perder seu instinto de superioridade, arvoram-se em arautos de uma democracia que desrespeita hábitos, costumes e culturas milenares de outras sociedades. Mas, como gostam de afirmar os irmãos do hemisfério norte: “business is business”!

A boa notícia, no entanto, é que a conscientização coletiva de povos ainda subjugados pela tirania começa a mudar, exigindo o reconhecimento de seus direitos como cidadãos, alterando o perfil social de seus países.  Processo irreversível, em mão única.

O cidadão comum de boa parte do mundo tem dificuldade em localizar países daquelas regiões. Por aqui, com a possível exceção do Egito – sempre presente nas mídias por sua história milenar -, o desconhecimento não é menor. Arrisco-me até a apostar um café que você não é capaz de identificar, como eu, a exata posição dos vários países naquelas áreas.

A distância entre povos de culturas distintas está diminuindo, a comunicação fácil por redes como o facebook cria uma proximidade inimaginável até agora e uma nova ordem política e social está sendo instalada sob a batuta de populações despertadas para um novo porvir.

Estamos vivendo uma fase histórica da humanidade!

Somos privilegiados por estarmos presenciando reivindicações legítimas e corajosas de povos subjugados. Não permaneçamos, pois, apenas como expectadores, mas façamos um exercício de profunda reflexão ao longo desses acontecimentos, eis que estes irão, definitivamente, influenciar nossas vidas neste lado onde o sol nasce mais tarde.

Vale um café?