A roda viva em que vivemos não nos permite refletir sobre como levamos o dia-a-dia. Habitamos em um planeta sem dono, a exemplo dos demais corpos celestes, aparentemente único em nossa galáxia, com cerca de seis e meio bilhões de terráqueos.

É óbvia e evidente a constatação. Mas considerarmos seriamente o que chamamos de mundo sem dono, é motivo para coçar a cabeça. De alguma forma, baixamos por aqui há bilhões de anos e não tivemos que obter permissão de quem quer que seja para plantarmos raízes: sem passaportes nem vistos de entrada. Encontramos à nossa disposição oxigênio para respirar, água para atender às nossas necessidades vitais, terra para cultivar, calor do sol para nos aquecer, animais e vegetais para nos alimentar, chuva para irrigar nossos rios. Tudo ao nosso alcance, em abundância, sem ser propriedade de ninguém: e sem impostos a pagar.

Durante séculos, os povos primitivos viveram como nômades, buscando manter a vida através da procura de alimento, água e abrigo. Viviam da caça e da pesca respeitando o que a natureza lhes brindava gratuitamente para sobreviver.

Mas a partir do momento em que o sentimento de posse e propriedade aflorou a convivência entre os humanos começou a se deteriorar. A fúria indômita pela conquista a qualquer custo foi, ao longo do tempo, escorraçando aqueles que prezavam e reverenciavam a fartura que o planeta lhes oferecia sem nada cobrar em troca. E com ela, a extinção gradual da qualidade dos suprimentos que tornavam nossas vidas mais saudáveis.

O homem branco, dito civilizado, apertando o torniquete em torno das terras sem dono, mas pertencente a todos e habitadas por séculos, exterminou considerável parte das populações de pele diferente.

Percebo, ainda que à distância, que nossa espécie vem dando indícios de tomada de consciência sobre o quanto endividados estamos para com a mãe Natureza. Sua indignação, para com atos irresponsáveis e gananciosos, não nos tem perdoado e se mostrada inclemente através de terremotos, enchentes, tempestades, nevascas, pólos derretendo mais rápido que o previsto, poluição sufocante. Deixando mortes e rastros de destruição em todo o planeta.

Apesar de minha percepção otimista, lamento que nosso aprendizado esteja sendo lento demais e comprometido, ainda, por interesses econômicos surdos e cegos. Em algum ponto da curva de nosso crescimento se encontra aquele, de equilíbrio, a nos colocar diante de uma opção definitiva. Ou, o que poderá vir a ser desalentador: falta de opção.

Talvez tenhamos que pagar para ver!

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RAdeATHAYDE