Há semanas vimos assistindo pela televisão aos desdobramentos da crise política na Líbia. Muitas notícias veiculadas de um  lado e de outro, talvez com mais versões que fatos, deixam os mais antenados a ponderar sobre como se processa a vida em nosso conturbado planeta.

Enquanto o genocídio – que por definição significa “extermínio intencional e programado de grupos humanos inteiros” – é conduzido com mão de ferro por um déspota que controla seu país há mais de 40 anos, potências e organizações internacionais se arrastam na discussão de quais medidas tomar visando dar um ponto final à tragédia.

Não sou ingênuo, nem belicista, a ponto de imaginar que a solução para o conflito seja fácil; sabemos que não conta com a anuência plena dos organismos que, ao final, darão a luz verde para qualquer ação. As implicações resultantes das decisões a serem tomadas, quaisquer que sejam elas, terão conseqüências inimagináveis ainda que discutidas e avaliadas por aqueles que se consideram estrategistas. Estrategistas que deram com os burros n´água na Coréia, Vietnam e Afeganistão no século passado e mais recentemente no Iraque há menos de dez anos. Escaldados, diante de um mundo mais complexo que não os autoriza a agir com onipotência como antigamente, procuram agora a forma de colocar o ovo em pé.

A Líbia é um país com história complexa, sofrida. Para ilustrar parte dela, mais recente, lembremos que foi “ incorporada ao reino da Itália em 1939 quando esta era ainda uma monarquia. Reino Unido e França, após a segunda guerra mundial, mantiveram o país sob forte governo militar até sua independência em 1952. A seguir firmou acordos para instalação de bases estrangeiras em seu território, dada sua posição estratégica na região. Com a descoberta de jazidas de petróleo, em 1959, as forças estrangeiras foram obrigadas a se retirar do país e em 1970, após um golpe de Estado contra a monarquia, o hoje ditador líbio assumiu o poder nacionalizando empresas, bancos e recursos petrolíferos. Acusado de estimular o terrorismo internacional, em 1996 os Estados Unidos bombardearam alvos militares em Trípoli e Benghazi, hoje bem conhecidas, onde pereceram 130 pessoas (Wikipédia)”.

Diante desse quadro, a verdade é que a impotência das potências ocidentais, demonstrada pela extrema cautela em agir sem consenso, vai contribuindo para o aumento das atrocidades em combates desiguais que parecem lembrar aqueles de David contra Golias.

Mais uma tragédia nos tempos modernos!