“Ajuda-me para que eu possa ajudar-te e, assim, possamos juntos subir a montanha.”

Relacionamento entre vizinhos pode vir a ser algo complicado. A base para uma convivência saudável e pacífica tem, e terá sempre a meu ver, íntima relação com a educação e respeito das partes.

Nas grandes cidades, dada a aglomeração de moradias e número descontrolado de pessoas vivendo e convivendo em espaços cada vez mais reduzidos, os atritos são freqüentes não raro terminando em agressões e ocorrências de B.O´s. As pequenas (cidades) não estão isentas do fenômeno, mas estes obviamente ocorrem em menor escala. Moradores de apartamentos e casas, vizinhos de clubes, casas de shows, bares, ora  são vítimas, ora vilões.

Pelo noticiário tomamos conhecimento das razões que levam as pessoas a se desentenderem por motivos até fúteis. Quero crer que o campeão de audiência é o “som” alto, a volumes danosos aos ouvidos humanos, perturbando o sossego dos que merecem ter seu descanso ou momentos preservados.

O que mais me impressiona nestas situações é que os perturbadores muitas vezes se negam a reconhecer o direito à tranqüilidade alheia partindo para agressões que começam verbais e não raro terminam em lesões corporais, quando não em óbitos.

É próprio da natureza humana querer ter razão em qualquer discussão. Quando a argumentação começa a escapar pelos dedos e a teimosia a subir pelas têmporas, o clima esquenta. Sem querer ser pessimista, não vejo outra solução para essa verdadeira calamidade comportamental que não seja a da revisão de atitudes por parte de todos.

O desrespeito ao próximo, ao seu semelhante – seja dentro de sua pequena comunidade na base do “os incomodados que se mudem” ou, como pesarosamente estamos assistindo, o genocídio líbio -, revela que nossa espécie pode ter evoluído em termos tecnológicos, mas mantém inalteradas suas preferências pela autoridade quando não pelo autoritarismo.

Com a internetização das sociedades permitindo a socialização da informação, colaborando para a destituição de governos despóticos, ampliando os horizontes do conhecimento, não podemos mais nos furtar de buscar a convivência pacífica entre as pessoas.

A frase, apesar de antiga, permanece atual: “os meus direitos terminam onde começam os seus”. A invasão do espaço alheio, a qualquer título, fere o direito inalienável a que todos temos direito como seres dotados de inteligência e, quiçá, bom senso.

Portanto, é preciso acreditar, pois a opção é nefasta!