Continuo acompanhando, com apreensão, os acontecimentos decorrentes do terremoto e tsunamis que abalaram o Japão recentemente. As autoridades e técnicos em Fukushima parecem não conseguir estancar o vazamento da radioatividade, apesar dos inúmeros recursos utilizados e dedicação de verdadeiros mártires na frente de trabalho.

A perda de vidas agora, felizmente, em nada se compara àquela de 230 mil mortes causadas pelo tsunami que assolou a Indonésia em 2004. Mas a tragédia no Japão coloca o resto do planeta de prontidão pela ameaça à saúde de populações distantes, ameaça esta de proporções ainda desconhecidas, fruto da radioatividade que impregna o mar, a terra e o ar.

Com tantas informações desencontradas, selecionadas pelos governos ou até mesmo censuradas – sabe-se lá -, fica a população civil exposta a conseqüências que poderão se manifestar apenas anos à frente.

O monitoramento dos níveis de radioatividade por radares em diversos países revela poucas informações para o público. Aqui no Brasil, a ANVISA passou a monitorar, desde o dia 4, os alimentos procedentes do Japão para evitar a entrada de produtos eventualmente contaminados. Ao que parece, só.

Dada nossa ignorância, no sentido lato da palavra, não nos chega qualquer relato que possa, por exemplo, indicar a possibilidade de a radiação proveniente de Fukushima vir a atingir o continente sul-americano em algum momento. Mas sabemos que na costa oeste dos Estados Unidos, zona mais próxima do Japão, já foram detectados níveis baixos de radiação.

A importância deste assunto não pode ser minimizada nem ignorada. A população tem o direito de ser informada, em linguagem acessível, para aprender e compreender que nossa aldeia global está mais global que nunca. Não me parece que deva ser assunto para ficar restrito, apenas, ao âmbito de técnicos e especialistas. É sempre bom lembrar que nós, também, possuímos duas usinas nucleares. E mais uma terceira, que deverá estar operando já em 2015!

A conscientização da população sobre o que é energia nuclear, problemas, prevenção, perigos e proteção deveria estar presente na discussão; desde salas de aula em todos os níveis até fóruns de debates, com cobertura da imprensa, focando no esclarecimento.

O mundo está mais alerta depois de Fukushima. E por aqui, não devemos esperar pelas conseqüências ainda nebulosas do desastre para, só então, aprendermos a lição já disponível.

Até porque, temos cá as nossas Angras!