Acesso o portal de meu provedor da internet e encontro nada menos de 44 anúncios fazendo convites para o internauta consumir algum tipo de produto. Não há como evitar que os olhos – e conseqüentemente o cérebro – registrem aquelas informações, ainda que dispensadas pela vontade consciente. Um verdadeiro bombardeio psicológico, lavagem cerebral, que nos torna prisioneiros de uma maquiavélica máquina indutora de convencimento. Sem mencionar as mensagens subliminares, que apenas o seu sistema nervoso central registra sem seu consentimento.

Não há escapatória, se desejar acessar a internet buscando informação ou distração. Até para enviar e receber e-mails você é obrigado a passar pela intransponível barreira publicitária. Somos, portanto, todos reféns sem direito a resgate. Existem mil argumentações justificando a sistemática, mas apenas dentro da uma visão mercantilista que visa exclusivamente o lucro.

Ora, dirá você, vivemos em um sistema capitalista – so what? (e daí? qual é o problema?) – sorririam os nossos irmãos do hemisfério norte. Mestres e maestros na arte de induzir o consumo do tanto que não precisamos nos induzem a viver uma existência avaliada pelo que temos e não pelo que somos como gente.

Fico com a triste impressão que estamos vivendo em uma ilha da fantasia, inebriados, uma Era a ser lembrada anos a frente como aquela do desperdício, da veneração ao supérfluo, da irresponsabilidade ambiental.

“A produção de alimentos terá de aumentar em 70% até 2050 para suprir a expansão da população mundial, dos atuais 6,7 bilhões para 9,1 bilhões. Caso não sejam adotadas medidas urgentes, cerca de 370 milhões de pessoas poderão passar fome daqui a 40 anos”. O alerta é da FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação).

Peço-lhe que me perdoe por esta reflexão, possivelmente considerada alarmista. Prognósticos feitos por quem entende do assunto me levam a acreditar, no entanto, que pelo andar da carruagem os viventes lá pelo meio  do século estarão enfrentando dificuldades de sobrevivência.

A se confirmar água escassa para todos, ar poluído sem precedentes, índices de radiação solar e nuclear em desarmonia  com a natureza, uso da terra preterindo a produção de alimentos, solidariedade limitada aos momentos de catástrofes, o futuro de nossos descendentes e jovens de hoje será, certamente, sombrio.

Então, qual é a sua responsabilidade nesse processo?

A minha, saiba, é estar contribuindo aqui com a transparência.

Sem pieguice!