Indagação intrigante esta. Depende da interpretação e ponto de vista de cada um. Principalmente do ponto de vista do outro. O que não nos exime de encarar o sentimento como o olhar em um espelho.

Se procurarmos o vocábulo “importante” no dicionário encontraremos definições as mais variadas e com diversas conotações. Não encontrei nenhuma, no entanto, que o associasse a sentimento. Sentimos ou avaliamos que alguém ou algo é importante segundo nossa interpretação pessoal. Corro até o risco de afirmar que a importância é relativa e subjetiva.

Na vida profissional, por exemplo, cargos pomposos levam alguns de seus ocupantes a aparentar certo orgulho – e não raro empáfia – perante os demais mortais, inclusive quando apresentados formalmente. Seus cartões de visita induzem as pessoas a avaliá-los pelo que representam e não pelo que realmente são. Sem o mágico passaporte, a percepção da importância corre o risco de ser, até mesmo, questionada.

O carro que alguém dirige, o bairro e a casa onde mora, as roupas que veste, os amigos com os quais se relaciona ou, ainda, a forma como é tratado pelos seus semelhantes criam uma imagem que pode não ser verdadeira. Não são só estes os atributos que, também, levam qualquer pessoa a ser considerada importante. Vivemos de imagens projetadas – válidas ou não – e assim somos considerados e vistos por aqueles com os quais convivemos.

A hipocrisia anda de mãos dadas com a vaidade levando muitos a parecer o que não são e a se sentirem perante os outros mais do que são. É realmente difícil nos aceitarmos como somos, pois faz parte da natureza humana a necessidade de sermos, primeiramente, aceitos em quaisquer circunstâncias. Não surpreende, portanto, que adulados e aduladores tenham pés de barro.

Frequentemente nos defrontamos com notícias de personagens considerados importantes cometendo deslizes, muitas vezes inconfessáveis, apesar de se encontrarem em posições de destaque na sociedade. Não é por outra razão que políticos, empresários, profissionais de renome – todos acima de qualquer suspeita – vez por outra estão presentes nas páginas policiais.

O filosofo francês Jean-Paul Sartre costumava dizer: “o mais importante de tudo não é o que fizeram de você, mas o que você vai fazer com o que fizeram de você”. Sábias palavras.

Quanto a mim, quero crer que importante mesmo é ser importante para aqueles que me são importantes no sentido pleno da palavra.

E quanto a você? Você é importante?