Semana retrasada a Folha de São Paulo divulgou trepidante matéria sobre o vertiginoso crescimento patrimonial do ministro número 1 do governo federal.

O reboliço causado pela divulgação levou o Planalto a, urgentemente, receber convidados especiais como o ex-ministro da Comunicação Social e até mesmo o ex-presidente. Objetivo: definir estratégias visando apagar o incêndio.

Depois de dois dias de conversas ao pé do ouvido nossa recatada presidenta aparece em público defendendo seu ministro, repudiando a divulgação do chamado kit-gay e, por último, dando explicações sobre uma construtora WTorre e seus relacionamento com a Receita Federal. Tudo de uma tacada só.

Quanto à divulgação do kit-gay, objetivando sua revogação, noticiou-se que se trataria de uma barganha com a ala evangélica do Congresso e comunidade católica para evitar que estas votassem contra o governo no episódio do novo Código Florestal. Mas como somos representados por fichas limpas e sujas em Brasília, pouco adiantou. Conclusão: barganharam-se votos e desprezou-se o interesse maior da população com a mais absoluta desfaçatez.

Minha simpatia por políticos não é grande. Tenho minhas convicções democráticas, mas incomoda-me – para dizer o mínimo – a impudência com que sou tratado por aqueles cujas milionárias benesses são pagas por todos nós. De minha parte, só estão lá em Brasília porque sou obrigado a votar para não ser punido.

Acordos questionáveis são costurados pelo governo, como o que ora se desenrola com a base partidária que sustenta seu equilíbrio no Congresso: o partido em questão quer mais poder e presença, caso contrário ameaça assinar requerimento concordando com a abertura de  uma CPI contra o ministro. Aliado de primeira hora, a base já votou contra na questão do Código Florestal. Mui amiga! Agora, nova ameaça de permitir – nesse país da impunidade escancarada – que se apurem de verdade mentiras verdadeiras. Pior que fogo amigo.

Respeitar e tratar o cidadão com dignidade é dever de qualquer governo. Ele não é marionete nem telespectador de reality shows proporcionados por governantes e congressistas. A política do pão e circo, ao melhor estilo dos imperadores da Roma antiga, ainda sobrevive.

Enquanto isto, nosso ex-presidente depois de participar de uma conferência sobre economia nas Bahamas esteve em Cuba esta semana. De lá, foi à Venezuela visitar seu dileto amigo Chaves que deverá estar em Brasília no próximo dia 6 de julho.

É isso aí!