Falcatruas na administração municipal de Campinas. Enriquecimento duvidoso do ex-primeiro ministro do governo Dilma, inocentado pela Advocacia-Geral da União. Endosso pelo Superior Tribunal Federal da decisão pessoal do ex-presidente da República de não permitir a extradição de Cesare Battisti – condenado por quatro assassinatos na Itália. Arquivamento do processo contra o banqueiro Daniel Dantas pelo Superior Tribunal de Justiça, por corrupção comprovada na conhecida Operação Satiagraha.

Estes casos talvez não mereçam a devida atenção por refletirem assuntos corriqueiros em nossas vidas do dia-a-dia. E não surpreendem, apesar da curiosidade momentânea que despertam ao serem divulgados.

Quero crer que nem todos saibam que os eméritos juízes de nosso STF são indicados pelo presidente da República a exemplo daqueles nomeados para o STJ. Assim como o Advogado-Geral da União, que é, também, nomeado pelo presidente da República a quem se reporta diretamente. Tenho dificuldade de entender a ausência de conflitos de interesse em situações de interesse político dentro do governo e do Congresso Nacional.

Tão arcaicas quanto nossas leis – e sua aleatória interpretação por renomados juristas, como temos pasmadamente acompanhado -, são as tramóias engendradas por aqueles que podem mais na certeza da impunidade constituída. Nenhum país está isento de ter governantes, ministros e graúdos primando pelos seus interesses pessoais. A diferença reside no simples fato de que, em muitos (países), a punição está abrigada na cadeia.

Os de colarinho branco e os dotados de imunidade parlamentar permanecem intocáveis, protegidos por um judiciário lerdo em seus pronunciamentos e pelo corporativismo inominável de congressistas. Assassinos confessos podem permanecer impunes por onze anos, como no caso do jornalista Pimenta Neves: ou de presidentes do Congresso Nacional, blindados quando partícipes de atos indignos condenados pela sociedade.

Deputados recebem remuneração e adicionais dignos de sanguessugas: mais de R$ 300.000,00 por ano. Bombeiros, que arriscam suas vidas para defender as nossas, são punidos no Rio de Janeiro por reivindicarem salários justos, superiores a R$ 950,00 mensais, ou seja, menos que a verba que os ilustres recebem – mensalmente  – para… assinatura de revistas.

“De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver crescer as injustiças, de tanto ver agigantar-se os poderes nas mãos dos homens, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto.” (R.B.)