O dia 20 de junho foi lembrado como o Dia Mundial do Refugiado. O ACNUR – Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados – celebrou, dezembro último, seu sexagésimo aniversário frente a um nobre trabalho que se estende a mais de 120 países.

A Convenção de Genebra de 1951, relativa ao Estatuto dos Refugiados, estabelece: “refugiado é toda a pessoa que, em razão de fundados temores de perseguição devido à sua raça, religião, nacionalidade, associação a determinado grupo social ou opinião política, encontra-se fora de seu país de origem e que, por causa dos ditos temores, não pode ou não quer regressar ao mesmo”.

Segundo relatório daquela organização, o número de refugiados requerentes de asilo e deslocados não pára de crescer no mundo, atingindo 44 milhões de pessoas em 2010. Dependendo da fonte, este número pode variar, mas o importante é constatarmos a existência desse impressionante contingente, inclusive crianças, que a maioria de nós sequer lembra que existem.

Você, por exemplo, tem conhecimento dessa organização? Em caso afirmativo, considere-se minoria. Estou certo, no entanto, que a maioria não desconhece o fato de que tantos vivem em condições precárias, em acampamentos, em diversas regiões do mundo. Isto, quando sobrevivem. Nos primeiros seis meses de 2011, 1.820 imigrantes, a maioria proveniente da África, afogou-se no Mediterrâneo, segundo estimativas divulgadas, em Roma, pela comunidade católica São Egídio.

Vivemos em um planeta assolado por guerras econômicas, fratricidas, religiosas, onde seres humanos são tratados e considerados por seus semelhantes como sendo de outra espécie. Como animais predadores, procuram saciar sua fome de poder e autoritarismo desconsiderando a capacidade que têm de raciocinar, enterrando em seu recôndito qualquer traço de sentimento e sensibilidade.

Parece que parte da humanidade se encontra inebriada, ignorando os episódios catastróficos, freqüentes, a ela impostos. A velocidade dos acontecimentos que vêm alterando nossas vidas sem que, sequer, tenhamos consciência, está levando a espécie a perseguir caminhos sempre à frente, de forma questionável.

A palavra “refúgio” tanto pode significar lugar que proporciona tranqüilidade, paz, como aquele para onde alguém foge ou se retira em busca de segurança e proteção.

Não sei se a data passou em branco para você, por desconhecê-la, ou se foi motivo para reflexão. Sugiro, de todo modo, que conheça o Escritório do ACNUR (www.acnur.org) e se surpreenda.